Douglas Ruas ficará com menos da metade do tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio que Eduardo Paes (PSD) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eduardo Paes, Douglas Ruas e Anthony Garotinho — Foto: Agência O Globo//Agência Senado Com a confirmação da neutralidade da federação União-PP no Rio, o PL terá chapa puro-sangue no berço do bolsonarismo e reduto do presidenciável Flávio Bolsonaro. Quem assume o posto do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), que desistiu do Senado, é o deputado federal Carlos Jordy. Já a vice de Douglas Ruas na eleição para governador será a vereadora de Niterói Fernanda Louback. Antes, Jordy tinha tentado se viabilizar no PL para a vaga que foi conquistada internamente por Carlos Portinho, o outro candidato da sigla. Sem Canella, ganhou a oportunidade de entrar na disputa. A neutralidade da federação no estado está alinhada com a posição nacional dos partidos. Sem as legendas na aliança, Ruas ficará com menos da metade do tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio que Eduardo Paes (PSD), o líder das pesquisas. Veja abaixo: Projeção de tempo de TV dos candidatos — Foto: Arte O Globo Projeção feita pelo GLOBO com base nas regras legais aponta que o ex-prefeito carioca tem direito a 4 minutos e 56 segundos de cada bloco de 9 minutos disponíveis, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa conta com 2 minutos e 21 segundos, considerando as alianças de agora — além do PL, Ruas é apoiado pelo Avante, e Paes agrupa diversos partidos. Ainda não saiu o tempo exato de cada um, já que o período de registro de candidaturas está vigente. Negociação em Brasília A costura para viabilizar a neutralidade foi feita em Brasília e contou com conversas entre Paes e quadros do PP, sobretudo o presidente estadual, Dr. Luizinho. Há duas semanas, o primeiro sinal do rompimento com o PL foi a desistência do então vice da chapa, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP). Luizinho é deputado federal e sonha com a presidência da Câmara. O PL atribui os movimentos recentes dele à tentativa de virar o candidato do eventual novo governo Lula na disputa que ocorrerá no início do ano que vem. Pesa contra isso, contudo, o fato de Hugo Motta (Republicanos-PB) ainda ter direito a se reeleger. Como o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, vinha queimado com o petismo desde que foi ministro de Jair Bolsonaro, Luizinho assumiu protagonismo nas conversas nacionais que culminaram na decisão do partido de ficar fora da aliança de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. No PL do Rio, há insatisfação com a “falta de gestos” de Flávio em prol de uma aliança mais robusta no estado que catapultou a família Bolsonaro à política. Reveses em série Pouco mais de cinco meses separam o anúncio da chapa da direita para a eleição do Rio — com direito a foto de todos ao lado de Flávio — e a confirmação do isolamento, oficializado ontem. A imagem exibia o presidenciável, Ruas, Canella, Lisboa e o ex-governador Cláudio Castro (PL), então postulante ao Senado, que foi o primeiro a cair. No fim de março, Castro renunciou ao cargo antes da cassação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou no caso Ceperj. Depois, passou por duas operações da Polícia Federal — uma sobre a Refit, outra com foco no Banco Master. Inelegível e considerado politicamente inviável pelo partido, desistiu. O partido demorou, mas confirmou no mês passado o nome de Carlos Portinho para substituí-lo. O segundo a sair da chapa foi Rogério Lisboa. Próximo a Paes, ele havia embarcado no projeto mais como uma missão partidária do que por desejo pessoal. Já incerto, o cenário piorou pelo contexto de Márcio Canella, alvo da Polícia Federal em operação que apurou suposta lavagem de dinheiro por meio de postos de combustível. O político do União foi preso em flagrante porque havia um fuzil em seu carro, mas depois acabou liberado.