Premiê do Catar reuniu-se com líderes iranianos de alto escalão em Teerã na quinta-feira, enfatizando a importância de retornar à situação anterior de navegação aberta pelo estreito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma vista aérea feita por drone mostra embarcações perto do Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã, em 28 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Os mediadores na guerra do Irã estão intensificando as tentativas para conseguir a reabertura do Estreito de Ormuz, com Teerã concordando em elaborar uma lista de condições para restabelecer o tráfego normal depois que um emissário catariano pressionou os iranianos a respeitar a liberdade de navegação. O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, um aliado dos Estados Unidos, reuniu-se com líderes iranianos de alto escalão em Teerã na quinta-feira, enfatizando a importância de retornar à situação anterior à guerra de navegação aberta por uma via marítima internacional. O encontro ocorreu em meio ao afastamento dos EUA das negociações diplomáticas em razão de uma campanha de pressão econômica anunciada contra a República Islâmica e seus aliados nesta semana pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Durante sua missão a Teerã na quinta-feira, al-Thani, que também ocupa o cargo de ministro das Relações Exteriores do Catar, afirmou no X que ressaltou às autoridades iranianas “a importância de respeitar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz de acordo com o direito internacional”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou nesta sexta-feira as conversas com o líder catari como “criativas” e voltou a pedir a Washington que pare de exercer pressão militar e econômica sobre seu país e retome as negociações. “Retomar a via diplomática não é impossível. Isso depende de os EUA compreenderem um fato simples: a pressão não funciona”, afirmou Araqchi no X. O Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou posteriormente um comunicado condenando como “terrorismo de Estado” as novas sanções econômicas impostas pelos EUA ao país. A pasta também pediu que outros países não adiram às sanções, afirmando que isso equivaleria a “cumplicidade na imposição da vontade ilegal de um Estado” sobre outros. Catar e Paquistão ajudaram a negociar em junho um memorando de entendimento que levou a um cessar-fogo, mas o acordo rapidamente se desfez devido a divergências entre Irã e Estados Unidos sobre o estreito, por onde passavam 20% do petróleo consumido globalmente antes da guerra. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reúne-se com o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, em Teerã, Irã, em 27 de agosto de 2026 — Foto: Gabinete do presidente do Parlamento iraniano/Divulgação via REUTERS Irã prepara lista de condições Depois que EUA e Israel iniciaram a guerra há seis meses, o Irã ameaçou atacar qualquer embarcação que atravessasse o estreito sem sua autorização, reduzindo o tráfego e elevando os preços do petróleo, o que deu a Teerã poder de barganha nas negociações. O governo do presidente Donald Trump quer que o estreito permaneça aberto como uma hidrovia internacional. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou na quinta-feira que o país estava preparando uma lista de condições para reabrir o estreito. Em entrevista à Al Manar TV, com auxílio de um intérprete, Rezaei afirmou que o Irã havia chegado a um acordo com Omã sobre um corredor de navegação pelo estreito, com trechos da rota em águas omanitas e outros em águas iranianas. Segundo ele, os navios utilizariam um canal central designado caso os EUA aceitassem as condições do Irã. Anteriormente, as exigências iranianas incluíram o fim do bloqueio americano aos portos do país, o pagamento de indenizações e a retirada de sanções. Não estava claro se o Irã pretendia modificar essas exigências de forma que pudessem ser aceitas por Washington. Teerã e Washington pouco trocaram nas últimas semanas além de declarações hostis, deixando a diplomacia a cargo de terceiros. Trump declarou o memorando de entendimento de junho “encerrado” em 8 de julho e intensificou os esforços para enfraquecer a economia iraniana. Motociclistas passam por um painel que retrata o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, debaixo d’água em meio a explosões, com os dizeres 'Grande vitória! Estreito de Ormuz', em Teerã, Irã, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026 — Foto: AP Foto/Vahid Salemi Retirada de minas marítimas Comandantes militares americanos afirmam que as forças dos EUA retiraram do estreito minas marítimas que haviam sido instaladas meses antes pela Guarda Revolucionária do Irã (IRGC). “Em resumo: hoje, as rotas internacionais de navegação estão abertas e o movimento está ganhando força”, afirmou o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), em uma mensagem em vídeo publicada nas redes sociais. As forças americanas ajudaram, nos últimos meses, 1.500 navios comerciais que transportavam quase 750 milhões de barris de petróleo bruto a atravessar o estreito, segundo Cooper. Trump afirmou repetidamente que o estreito estava aberto, mas muitas embarcações optaram por não atravessá-lo devido às ameaças iranianas, e serviços de rastreamento de navios estimaram que a atividade estava em cerca de 5% a 15% dos volumes normais. Dados preliminares de navegação divulgados nesta sexta-feira mostraram que apenas sete embarcações de transporte de commodities atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, ante 17 no dia anterior e abaixo da média de 15 dos últimos dez dias. Os países exportadores de energia do Golfo também vêm tentando reduzir sua dependência excessiva do estreito, investindo bilhões de dólares em nova infraestrutura, de oleodutos e gasodutos a portos. O comércio está sendo redirecionado para portos sauditas no Mar Vermelho e para portos na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, embora a capacidade dessas rotas seja menor. Os preços do petróleo ficaram estáveis nesta sexta-feira, mas caminhavam para uma queda semanal, em meio ao que analistas apontaram como sinais de que mais petróleo estava passando pelo estreito apesar do impasse diplomático e de que os produtores estavam se adaptando cada vez mais às novas condições na região do Golfo. Embarcações no Estreito de Ormuz são vistas perto da praia de Bandar Abbas, no Irã, em 28 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Mediadores da guerra com Irã buscam negociações para reabertura de Ormuz
Premiê do Catar reuniu-se com líderes iranianos de alto escalão em Teerã na quinta-feira, enfatizando a importância de retornar à situação anterior de navegação aberta pelo estreito







