"Isso aqui pode se chamar passaporte para o futuro deste país", disse Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada. Posou com as mãos besuntadas de petróleo, dias depois de a Petrobras confirmar a descoberta no primeiro poço exploratório da Foz do Amazonas —que, na melhor das hipóteses, começará a produzir em cinco anos.
Lula também mencionara o "passaporte para o futuro" durante a euforia de 2008, quando se confirmava a capacidade de produção na camada do pré-sal. Agora, o petista precipita-se em torno de uma nova expectativa de extração, como fez na encenação eleitoreira forjada durante a visita ao Amapá.
Ainda que se confirme o potencial da Foz do Amazonas e de outras bacias da Margem Equatorial, a história e as perspectivas do setor de energia suscitam questões que deveriam ser consideradas em planos de desenvolvimento para o país. O impacto ambiental é a mais imediata delas, mas nem de longe a única.
Em 2008, a produção brasileira de petróleo era de 1,82 milhão de barris por dia; no primeiro semestre deste 2026, de 4,23 milhões de barris. Também em 2008, a exportação de óleos brutos e combustíveis equivalia a 9,4% do valor total vendido ao exterior; nos últimos 12 meses, a proporção foi de 17,3%.







