Organização liderada pela Arábia Saudita tem influência sobre os preços do petróleo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Com aproximação dos EUA, Venezuela avalia deixar a Opep, após 60 anos — Foto: Bloomberg A Venezuela está avaliando deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo pessoas familiarizadas com o assunto, o que representaria um novo golpe para o cartel petrolífero que o país ajudou a criar há mais de seis décadas. A possibilidade de saída tem sido discutida em conversas com autoridades dos Estados Unidos, e nenhuma decisão final foi tomada, disseram algumas das pessoas, que pediram anonimato. Um porta-voz da Casa Branca não comentou imediatamente, e o Ministério da Informação da Venezuela não respondeu aos pedidos de comentário. A medida ilustraria o amplo realinhamento político em Caracas desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, destituiu o líder venezuelano Nicolás Maduro e assumiu o controle das vendas de petróleo do país. Há apenas quatro meses, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixariam a Opep, ameaçando a unidade do grupo e sua influência sobre os preços do petróleo. Separadamente, os Estados Unidos estão negociando um acordo para adquirir uma grande participação em campos petrolíferos venezuelanos, segundo informações publicadas anteriormente pela Bloomberg e pelo Axios. Antes um membro de destaque da Opep, a Venezuela perdeu importância nos últimos anos em consequência das sanções impostas pelos EUA e das crises econômicas internas que devastaram sua indústria petrolífera. O país produziu 1,16 milhão de barris por dia em julho, segundo uma pesquisa da Bloomberg — menos da metade do volume produzido uma década atrás. A produção, no entanto, aumentou neste ano. Diante da redução de sua produção, uma eventual saída da Venezuela provavelmente teria pouco impacto imediato sobre os mercados globais de petróleo, atualmente dominados pelos efeitos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Ainda assim, a ideia ganha força em meio à frustração pública com as obrigações impostas pela adesão à Opep, manifestada pelo Iraque e por outros países. A saída da Venezuela alimentaria dúvidas sobre a capacidade da organização, que é liderada pela Arábia Saudita, de manter sua coesão e continuar influenciando os preços do petróleo. Uma nova desintegração poderia mergulhar os membros em uma intensa disputa por participação de mercado, repetindo a guerra de preços que travaram brevemente em 2020. Algumas autoridades americanas imaginam uma potência petrolífera construída a partir de uma aliança entre Estados Unidos e Venezuela, que reduziria significativamente a influência da Opep, segundo uma das fontes. Embora Caracas não esteja atualmente sujeita a limites de produção da Opep, devido à magnitude da queda de sua produção nos últimos anos, outra fonte afirmou que libertar o país de quaisquer possíveis cotas ajudaria a Venezuela a maximizar a produção no longo prazo e, consequentemente, reduzir os preços. Washington poderia executar seus planos para o setor petrolífero venezuelano sem estar limitado por obrigações com outro grupo, disse a fonte. A possível retirada da Venezuela da Opep poderia abrir caminho para que companhias petrolíferas internacionais americanas e de outros países desempenhassem um papel maior na reconstrução do setor petrolífero venezuelano. Isso poderia ampliar o excedente global de petróleo previsto para os próximos anos pela Agência Internacional de Energia (AIE) e outras importantes instituições de previsão. Uma eventual saída de Caracas do grupo seria uma vitória para Trump, crítico de longa data da Opep e de sua capacidade de elevar os preços do petróleo e, com isso, os custos dos combustíveis para os consumidores americanos. Desde que as forças americanas capturaram Maduro, em 3 de janeiro, e a presidente interina Delcy Rodríguez assumiu o poder, as relações entre Washington e Caracas passaram do isolamento para uma parceria cada vez maior, à medida que Trump exerce uma influência significativa sobre o país e seus vastos recursos naturais. O governo Trump restabeleceu relações diplomáticas, reabriu sua embaixada em Caracas e iniciou conversas diretas com Rodríguez e seus principais ministros. Washington tem utilizado uma combinação de alívio de sanções, acesso ao sistema financeiro global e controle sobre as receitas do petróleo para orientar as políticas do país. A Venezuela foi um dos cinco produtores de petróleo que fundaram a Opep, em 1960, e é considerada o país mais influente na criação do grupo, devido aos persistentes esforços diplomáticos de seu então ministro do Petróleo, Juan Pablo Pérez Alfonzo. O cartel e seus parceiros desempenham um papel significativo nos mercados mundiais de petróleo desde então, do embargo árabe de petróleo na década de 1970 até os grandes cortes de produção que estabilizaram os preços e ajudaram boa parte da indústria petrolífera mundial durante a pandemia de 2020. A Venezuela também foi fundamental para o surgimento da Opep+, a aliança formada em 2016 entre membros centrais do cartel e países externos, incluindo a Rússia, que deu uma nova sobrevida à organização, então em declínio. Nos últimos anos, porém, o poder da coalizão parece ter voltado a diminuir. Produtores de petróleo de xisto dos Estados Unidos e outros concorrentes ao redor do mundo reduziram sua capacidade de influenciar os preços. Além disso, grandes descobertas de petróleo na Guiana e no Brasil diminuíram sua predominância na produção. No fim de abril, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixariam imediatamente a Opep para aproveitar uma capacidade de produção recém-ampliada, sem as restrições impostas pelo sistema de cotas do grupo — uma prioridade cada vez mais urgente à medida que a transição energética para longe dos combustíveis fósseis transforma os padrões de consumo de energia. O Iraque também expressou, em junho, suas frustrações acumuladas com os limites de produção da Opep e advertiu que poderia considerar deixar a organização caso não recebesse autorização para aumentar sua produção como parte de uma auditoria coletiva sobre a capacidade dos países-membros. Posteriormente, Bagdá minimizou a ameaça. Devido às perdas de produção do país, a Opep havia, durante muitos anos, isentado a Venezuela de quaisquer cotas de produção ou de acordos para participar de novos cortes.
Com aproximação dos EUA, Venezuela avalia deixar a Opep, após 60 anos
Organização liderada pela Arábia Saudita tem influência sobre os preços do petróleo










