Uso de ferramentas como o ChatGPT pode melhorar clareza e personalização da candidatura, mas textos genéricos, informações inventadas e respostas padronizadas prejudicam a seleção 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Divulgação — Foto: Divulgação A inteligência artificial já faz parte da busca por emprego. Candidatos utilizam ferramentas como o ChatGPT para revisar currículos, escrever apresentações, adaptar experiências a diferentes vagas e se preparar para entrevistas. O recurso pode tornar a candidatura mais clara e eficiente, mas também criou um novo desafio: como aproveitar a tecnologia sem produzir um perfil artificial, genérico ou desconectado da trajetória profissional. Na avaliação do Infojobs, a IA funciona melhor como ferramenta de apoio. Ela pode organizar informações, corrigir erros, sugerir uma estrutura mais objetiva e ajudar o profissional a identificar competências relacionadas à vaga. O problema começa quando substitui completamente a participação do candidato. Para Hosana Azevedo, Gerente de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, o uso excessivo da ferramenta pode fazer com que diferentes currículos e apresentações pareçam ter sido escritos pela mesma pessoa. "A inteligência artificial consegue melhorar a forma como uma experiência é apresentada, mas não deve criar uma trajetória que não existe. Quando o candidato utiliza respostas prontas, exagera competências ou adota uma linguagem que não consegue sustentar durante a entrevista, a inconsistência aparece rapidamente e compromete a confiança do recrutador", afirma. Personalização faz a diferença Um dos usos mais eficazes da IA é adaptar o currículo a uma oportunidade específica. Isso não significa alterar experiências, mas destacar aquelas que possuem maior relação com os requisitos da vaga e traduzir atividades anteriores em resultados mais claros. Antes de recorrer à ferramenta, o candidato precisa reunir informações concretas: funções exercidas, projetos dos quais participou, ferramentas que domina, resultados obtidos e situações que demonstrem suas competências. Quanto mais específico for o conteúdo fornecido, menor a chance de a IA gerar um texto vago. Expressões como "profissional proativo", "orientado a resultados" e "excelente capacidade de comunicação" perdem força quando não vêm acompanhadas de exemplos. Em vez de simplesmente reproduzir esses termos, o currículo deve mostrar como essas características apareceram na prática. "A IA pode ajudar o candidato a perceber que determinada experiência possui valor profissional e a apresentá-la com mais clareza. Mas o conteúdo precisa continuar sendo verdadeiro, verificável e compatível com a forma como ele fala sobre a própria carreira", explica Hosana. O risco de parecer um candidato que não existe Outro erro é copiar integralmente a descrição da vaga para tentar superar sistemas automatizados de triagem. Incluir palavras-chave relevantes pode facilitar a identificação do perfil, mas repetir requisitos sem possuir as competências correspondentes tende a gerar uma candidatura pouco consistente. O mesmo cuidado vale para cartas de apresentação e respostas em processos seletivos. Textos excessivamente formais, cheios de expressões genéricas e sem qualquer referência à empresa ou à oportunidade indicam falta de personalização. Além disso, o recrutador pode comparar o conteúdo escrito com a comunicação do candidato durante entrevistas e avaliações. A recomendação é utilizar a IA em etapas: criar uma primeira estrutura, revisar o texto, retirar exageros, incluir exemplos pessoais e adaptar a linguagem. O resultado final precisa parecer escrito pelo profissional, ainda que tenha recebido apoio tecnológico. A busca por vagas também se torna conversacional A própria forma de procurar oportunidades está mudando. O Infojobs já pode ser utilizado dentro do ChatGPT para localizar vagas por cargo e região. Após conectar o aplicativo do Infojobs Brasil, o usuário faz a consulta de maneira conversacional e recebe oportunidades relacionadas ao pedido, acessando a plataforma para concluir a candidatura. A integração mostra que a inteligência artificial tende a ocupar diferentes etapas da jornada: da descoberta da vaga à organização do currículo e à preparação para entrevistas. Ainda assim, a decisão final continua exigindo análise humana e coerência entre as informações apresentadas e a experiência real do candidato. "Quem se destaca não é necessariamente quem usa mais inteligência artificial, mas quem consegue utilizá-la com senso crítico. A tecnologia deve ajudar o profissional a comunicar melhor o que ele já construiu, e não criar uma versão artificial para agradar ao processo seletivo", conclui Hosana.
IA no currículo: o que ajuda o candidato e o que afasta os recrutadores
Uso de ferramentas como o ChatGPT pode melhorar clareza e personalização da candidatura, mas textos genéricos, informações inventadas e respostas padronizadas prejudicam a seleção







