Inteligência artificial vai aumentar lucro do varejo, diz cofundador da plataforma Innovation WeekPara Fábio Queiroz, especialista em negócios de varejo, os agentes de IA já atuam como vendedores e o avanço da tecnologia vai derrubar barreiras entre o físico. Crédito: Edição: Larissa Kinoshita motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Felipe Pedro, Produção: Vitória SchimdtzGerando resumoAs 300 maiores empresas em vendas do varejo brasileiro conseguiram em 2025 ampliar vendas e superar a média de crescimento do varejo, antes da piora da conjuntura econômica, marcada por juros altos e inadimplência elevada.PUBLICIDADEEsse cenário tem atrapalhado a vida dos comerciantes, especialmente de bens duráveis, nos últimos meses e foi um dos fatores apontados pela Casas Bahia e outras varejistas que pediram recentemente recuperação judicial.No ano passado, o grupo das 300 maiores varejistas faturou R$ 1,3 trilhão, com crescimento nominal de 8,6% em relação ao ano anterior, segundo o Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT). Os dados não incluem as vendas de parceiros em empresas que têm marketplaces.PublicidadeCarrefour se mantém na liderança do varejo brasileiro Foto: Daniel Teixeira/EstadãoO desempenho superou o crescimento de vendas do varejo restrito, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que exclui veículos e materiais de construção. Em 2025, o varejo restrito fechou o ano com alta nominal de 6,4%.Segundo Eduardo Terra, cofundador do IRTT e um dos coordenadores do Ranking TOP 300, as 300 maiores empresas do ranking, que respondem por quase a metade (47,7%) do varejo brasileiro, têm mais estrutura, escala e capital para enfrentar o cenário adverso. “Desde 2015 as 300 empresas crescem mais que o varejo nacional.”A resiliência do varejo está concentrada nas grandes redes regionais. “A força está muito mais entre as empresas que estão entre a número 10 e número 200, no miolo do ranking do que nas top 10”, observa o especialista. PublicidadeAliás, ele destaca que os problemas que têm levado as companhias a pedidos de recuperação judicial e extrajudicial têm pegado as varejistas que encabeçam a lista, como Casas Bahia, Grupo Pão de Açúcar, por exemplo.A perspectiva é de que esse cenário, no qual as regionais conseguem enfrentar melhor as adversidades, continue, na opinião do especialista. As razões para isso são o maior conservadorismo dessas empresas no endividamento e na governança.Inclusive enquanto a concentração de vendas no varejo tem diminuído entre as dez maiores companhias – era 40,4% em 2020 e caiu para 36,4% em 2025 –, houve um aumento no segmento de grandes varejistas regionais. Isso mostra a força dessas empresas, que têm sustentado o desempenho do varejo, inclusive com capacidade financeira para adquirir concorrentes.PublicidadeO sobe e desce no top 10 das varejistasNa lista das dez maiores companhias em vendas, que responderam no ano passado por mais de um terço (36,4%) da receita das 300 varejistas, houve um sobe e desce nas posições entre 2024 e 2025. O Carrefour e o Assaí, com vendas de R$ 123,6 bilhões e R$ 84,7 bilhões, respectivamente, e voltados para a comercialização de alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza, isto é, gêneros de primeira necessidade, continuaram na liderança e vice-liderança do ranking. Mas na terceira e na quarta posições houve uma inversão.A RD Saúde (Raia Drogasil) subiu da quarta para a terceira colocação, com vendas de R$ 47,6 bilhões e crescimento de 13,9% em 2025. De acordo com o estudo, o ritmo de abertura de lojas foi intenso e a companhia expandiu a sua atuação para se tornar um ecossistema de saúde e bem-estar.PublicidadePUBLICIDADEJá o Magazine Luiza caiu uma posição, do terceiro para o quarto lugar, com faturamento de R$ 47,5 bilhões. O avanço anual de vendas foi de apenas 1,7%, a menor taxa entre as dez maiores companhias do ranking. Esse movimento reflete, segundo o estudo, o ambiente macroeconômico de juros altos e inadimplência elevada, que é desafiador para o varejo de bens duráveis.Na sequência, vem o Grupo Boticário, com vendas de R$ 38,1 bilhões e crescimento de 6,7%, que se manteve na quinta posição.Na sexta posição, está o Grupo Mateus, de supermercados, com vendas de R$ 35,9 bilhões, crescimento de 18,2% em relação a 2024, que ascendeu uma posição.PublicidadeEm contrapartida, o grupo Casas Bahia, de eletromóveis, caiu para o sétimo lugar, com vendas de R$ 33,8 bilhões. O faturamento aumentou 7,1%, mas, mesmo assim, a empresa que estava sob regime de recuperação extrajudicial, migrou para a recuperação judicial em agosto deste ano, com dívidas de R$ 17,3 bilhões.Natura&Co, uma das principais empresas de perfumaria e cosméticos, ingressou no ranking das dez maiores em faturamento, ocupando a oitava posição, com vendas R$ 28 bilhões. Em 2025, a companhia passou por um processo de reestruturação societária.Em nono lugar aparece o Supermercado BH, uma grande empresa regional. A empresa subiu uma posição, com vendas de R$ 25,7 bilhões e maior taxa de crescimento de 20,9%, no ranking das dez maiores.Finalmente, aparece o Grupo Pão de Açúcar, que pediu recuperação extrajudicial em março deste ano, com dívidas de R$ 4,5 bilhões. Mas em 2025, faturou R$ 20,6 bilhões e cresceu 2,9%. A companhia ingressou no grupo das dez maiores não pelos méritos próprios, mas por conta da saída de outras empresas.Leia tambémHabib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhõesCrise da Casas Bahia expõe fragilidades do varejo dependente de créditoCasas Bahia: crise desencadeia corrida de varejo regional por mercado de R$ 300 milhõesAmazon, que figurava no oitavo lugar em 2024, com vendas de R$ 26 bilhões, saiu do ranking das dez maiores em 2025 por causa de mudanças de metodologia do ranking. Neste ano, o ranking não inclui a venda de parceiros em empresas que têm marketplaces e a companhia não informou qual volume de mercadorias próprias que comercializa.PublicidadeA Americanas, que o ocupava na nona colocação e faturamento de R$ 21,4 bilhões no ranking anterior, saiu da lista das dez maiores por causa de sua crise.Vale ler tambémNem toda versão errada sobre você precisa ser corrigidaA adaptação de metodologias climáticas à realidade dos trópicos é urgenteGoverno usa reforma tributária em narrativa eleitoral e informações confundem contribuinte