Bloco europeu imobilizou cerca de 210 bilhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia depois que Moscou invadiu o território ucraniano em fevereiro de 2022 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Um segurança observa do alto de uma torre do Kremlin, em Moscou, Rússia, em 26 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Anastasia Barashkova Holanda, Polônia, Espanha e Suécia pediram nesta quinta-feira que a União Europeia retome na próxima semana as discussões sobre o uso de ativos russos congelados em benefício da Ucrânia, diante da ausência de sinais de que Moscou pretenda encerrar a guerra. Em uma carta à qual a Reuters teve acesso, os ministros das Relações Exteriores dos quatro países argumentam que, embora a UE tenha aprovado em dezembro passado um empréstimo de 90 bilhões de euros (US$ 104,86 bilhões) para Kiev para 2026 e 2027, o montante não será suficiente. “A Ucrânia precisa de mais apoio financeiro tanto no curto quanto no longo prazo”, afirma a carta, endereçada à chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e a Helen McEntee, ministra das Relações Exteriores da Irlanda, que exerce a presidência rotativa do bloco. “Acreditamos que chegou o momento de retomar a questão de como podemos ampliar o uso dos ativos imobilizados da Rússia em benefício da Ucrânia”, escreveram os ministros. Eles querem que o tema seja discutido na próxima reunião de chanceleres do bloco europeu, em 1º e 2 de setembro, na Irlanda. Os países da União Europeia imobilizaram cerca de 210 bilhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia depois que Moscou invadiu a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Desse total, cerca de 185 bilhões de euros estão depositados na Euroclear, instituição de liquidação e custódia de títulos sediada em Bruxelas. A Comissão Europeia propôs no ano passado usar os recursos russos para conceder um empréstimo de até 165 bilhões de eruos à Ucrânia, que só seria reembolsado depois que a Rússia pagasse reparações de guerra a Kiev. A Bélgica, porém, rejeitou o plano, argumentando que ele não oferecia garantias suficientes de que o país não ficaria sozinho para lidar com possíveis processos judiciais e pedidos de indenização da Rússia. O plano de usar os ativos congelados acabou, portanto, abandonado e substituído pelo empréstimo de € 90 bilhões, garantido pelo orçamento da UE. Autoridades disseram que não está claro se a retomada das discussões terá sucesso, uma vez que a Bélgica não mudou de posição. “Propomos [...] que especialistas técnicos da Comissão sejam convidados a avaliar, em estreita consulta com os Estados-membros, novas opções para utilizar os ativos imobilizados em benefício da Ucrânia”, afirma a carta. Autoridades disseram que um novo impulso às discussões pode vir das negociações em curso sobre o próximo orçamento de longo prazo do bloco, para o período de 2028 a 2034, que terá de incluir recursos para a Ucrânia. Quanto mais dinheiro estiver disponível de outras fontes, menos os contribuintes da UE terão de desembolsar, afirmaram. Outras observaram que os recursos seriam mais bem empregados para ajudar a conter Moscou do que para reconstruir a Ucrânia depois da destruição provocada pela guerra. “A Rússia não receberá esse dinheiro de volta até pagar reparações à Ucrânia. Portanto, é melhor usá-lo para deter a agressão — ou seja, para defender a Ucrânia — do que esperar até o fim da agressão russa para gastá-lo na reconstrução”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski.
Quatro países da UE querem reabrir debate sobre ativos russos congelados para ajudar Ucrânia
Bloco europeu imobilizou cerca de 210 bilhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia depois que Moscou invadiu o território ucraniano em fevereiro de 2022












