Pelo menos 353 pessoas morreram e mais de 1.300 estão desaparecidas, entre estrangeiros e peregrinos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Equipes de resgate continuam os trabalhos no Nepal após avalanche — Foto: Reprodução/Associated Press Governos de toda a Ásia buscavam informações e mobilizavam equipes de emergência nesta quinta-feira, enquanto centenas de turistas estrangeiros continuavam desaparecidos após a avalanche de lama catastrófica que atingiu o Nepal e o vizinho Tibete. Pelo menos 353 pessoas morreram e mais de 1.300 estão desaparecidas, entre estrangeiros e peregrinos, enquanto centenas tiveram de deixar suas casas em toda a região do Himalaia, indicam dados divulgados na manhã desta quinta. A Austrália afirmou que ao menos 34 de seus cidadãos estavam desaparecidos. A Coreia do Sul informou que nove cidadãos não haviam sido localizados, enquanto o Japão disse que cinco turistas japoneses estavam desaparecidos. O Conselho de Turismo do Nepal informou que cerca de 105 indianos estavam desaparecidos, e o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que quase 100 cidadãos chineses estavam desaparecidos no lado nepalês da fronteira. Também estavam desaparecidas 47 pessoas dos EUA, 34 da Austrália, 33 do Reino Unido e 24 do Canadá, segundo a Associated Press, que citou um porta-voz do órgão de turismo nepalês. O Ministério das Relações Exteriores da Malásia informou nesta quinta-feira que não havia sido possível entrar em contato com 55 malaios após as enchentes, com base em informações recebidas de familiares, agências de viagens e outras fontes. A pasta acrescentou que ainda não havia recebido confirmação oficial de vítimas malaias. Avalanche de lama mata ao menos 160 no Himalaia — Foto: Valor Autoridades chinesas disseram que o deslizamento teve origem no lado nepalês da fronteira e avançou em direção ao porto de Gyirong, uma importante passagem entre os dois países. Chuvas, danos à infraestrutura e a formação de um novo lago represado dificultavam as operações de resgate. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, classificou as imagens do desastre como “verdadeiramente horríveis” e afirmou que as autoridades ainda enfrentavam dificuldades para determinar o que havia acontecido com as pessoas atingidas pelas enchentes. “O Nepal é um país em desenvolvimento. Não dispõe dos recursos que um acontecimento como esse teria à disposição na Austrália”, afirmou Albanese. “É difícil obter informações. Nossos pensamentos estão com todos aqueles que hoje estão preocupados com seus entes queridos.” A Coreia do Sul enviou uma equipe de resposta formada por diplomatas e integrantes dos serviços de emergência e resgate. O presidente Lee Jae Myung adiou uma reunião com assessores de alto escalão para presidir uma sessão de emergência sobre o desastre e seus impactos sobre cidadãos sul-coreanos. “Todos os esforços estão sendo feitos para garantir a segurança de nossos cidadãos”, informou o gabinete de Lee. O Japão enviou integrantes de sua Equipe de Resposta a Emergências no Exterior ao Nepal depois que cinco japoneses, que participavam de uma viagem turística, foram dados como desaparecidos. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou condolências às vítimas e pediu que qualquer pessoa com informações sobre os turistas entrasse em contato com a Embaixada do Japão em Katmandu. O ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, afirmou que o Japão criou na noite de quarta-feira uma força-tarefa local liderada por Toru Maeda, embaixador do país no Nepal. O premiê da Índia, Narendra Modi, afirmou em publicação no X ter transmitido suas condolências ao primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, e acrescentou que a Índia fornecerá toda a assistência humanitária possível ao Nepal e que os dois países mantêm estreita coordenação nas operações de resgate e auxílio. “O povo da Índia se solidariza com suas irmãs e seus irmãos do Nepal neste momento difícil”, escreveu Modi. O Ministério das Relações Exteriores indiano informou que já entregou ao Nepal 10 toneladas de ajuda humanitária e materiais para resposta a desastres, além de medicamentos essenciais. A Indonésia afirmou não ter recebido relatos de cidadãos do país afetados, mas disse que acompanhava a situação por meio de suas embaixadas em Daca e Pequim, além de redes comunitárias e de seu cônsul honorário em Katmandu. O porta-voz da chancelaria da Tailândia, Jaithai Upakarnitikaset, afirmou que não havia relatos de cidadãos tailandeses feridos ou mortos e que a embaixada do país em Katmandu abriu uma linha telefônica de emergência para seus cidadãos no Nepal. A China mobilizou uma operação de grande escala depois que o presidente Xi Jinping determinou às autoridades que tratassem a busca pelos desaparecidos como sua “principal prioridade” e adotassem medidas para evitar novos desastres. Pessoas resgatadas e retiradas de áreas afetadas pelas enchentes chegam ao Maithali Barrack, um centro de treinamento do Exército que funciona como principal base para o transporte aéreo de sobreviventes após as enxurradas e o deslizamento em Trishuli, no distrito de Nuwakot, Nepal, em 27 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Navesh Chitrakar Mais de 600 bombeiros e integrantes de equipes de resgate, além de cães farejadores, detectores de vida e embarcações, foram enviados à região. O governo central destinou 120 milhões de yuans (US$ 17,8 milhões) para ações de socorro e outros 100 milhões de yuans para reparos emergenciais e reconstrução. As autoridades também enviaram barracas, aquecedores, roupas, cobertores e outros suprimentos, enquanto as Forças Armadas mobilizaram um drone para sobrevoar a área atingida durante uma breve melhora nas condições meteorológicas. As Nações Unidas afirmaram que cerca de 10 mil famílias no Nepal precisavam de assistência imediata depois que comunidades, mercados, estradas, pontes e instalações hidrelétricas foram arrastados ou danificados. As ligações de transporte foram interrompidas e houve cortes no fornecimento de energia elétrica. “O secretário-geral está consternado com as graves inundações que vimos hoje no Nepal e na China, que tiraram muitas vidas, deixaram pessoas desaparecidas e provocaram destruição generalizada”, afirmou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. O Programa Mundial de Alimentos fornecia alimentos de emergência e apoio logístico, enquanto equipes da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegaram à região afetada com suprimentos médicos suficientes para atender cerca de 10 mil pessoas durante três meses.