O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) criticou a proposta de redução da jornada de trabalho na escala 6x1 e afirmou que, se eleito, pretende manter a jornada de 44 horas semanais em um novo regime trabalhista. Durante sabatina promovida por O GLOBO, CBN e Valor, ele disse que a mudança poderia aumentar a informalidade, reduzir a arrecadação e dificultar contratações, especialmente em setores intensivos em mão de obra. Renan também defendeu uma revisão da legislação trabalhista e afirmou que a Justiça do Trabalho deveria caminhar para a “obsolescência e substituição”. — O efeito da escala 6x1 vai ser aumento da informalidade e diminuição da arrecadação de valores que vão para a Previdência e, no fim do dia, aumento do rombo fiscal — afirmou. De acordo com o candidato, o debate sobre o tema tem sido discutido de maneira "populista" pelo governo. — Estão prometendo que as pessoas vão trabalhar menos e ganhar mais. É um problema dramático, vindo de uma medida populista de um presidente que está tentando recuperar a discussão sobre trabalho — disse. Segundo o candidato, setores como varejo, restaurantes e outros segmentos com contratação intensiva seriam especialmente afetados pela redução da jornada sem diminuição dos salários. Ele citou empresas que enfrentaram dificuldades financeiras e argumentou que o aumento do custo da mão de obra poderia estimular a informalidade. Renan Santos na sabatina O Globo, CBN e Valor — Foto: Ana Branco / Agência O Globo Renan defendeu a criação de um novo regime trabalhista, que funcione como alternativa à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e ao Microempreendedor Individual (MEI). Segundo ele, o modelo deveria combinar menor tributação, maior segurança jurídica para empregadores e trabalhadores e regras mais previsíveis para contratação e demissão. — A maior proteção que o trabalhador tem que ter é receber o salário dele ao fim do mês. É o trabalho — afirmou. Ao defender mudanças na legislação, Renan criticou a Justiça do Trabalho e afirmou que o sistema brasileiro gera insegurança para empresas e trabalhadores. — A CLT vem com muitos custos e vem ainda com Justiça Trabalhista, que é caixinha de surpresas. Temos a pior Justiça Trabalhista do mundo, o país que tem mais ações trabalhistas no mundo — disse. Questionado sobre o que faria com a Justiça do Trabalho, afirmou que o objetivo deveria ser sua substituição progressiva. — Eu acho que nós precisamos ter uma legislação trabalhista que vá além da Justiça Trabalhista. Eu acho que ela tem que caminhar pela obsolescência e substituição. Acho que é um caminho natural — afirmou. Renan também defendeu a ampliação da formalização dos trabalhadores. Segundo ele, o número elevado de MEIs seria, em parte, uma resposta de empresas e trabalhadores aos custos e à rigidez do modelo da CLT. — Todos os funcionários que trabalham comigo são MEI. É a forma que o brasileiro encontrou para contratar alguém, com a pessoa ganhando mais e se adequando ao bolso da empresa e do trabalhador — disse. Subsídios ao agronegócio Apesar de defender a redução de subsídios em outros setores da economia, Renan afirmou que manterá os incentivos destinados ao agronegócio. Segundo ele, o setor apresenta ganhos de produtividade que justificam a manutenção das políticas existentes. — Serão mantidos. Pois são competitivos — afirmou. Ao comparar os subsídios concedidos ao agronegócio com outras políticas de incentivo, Renan criticou a Zona Franca de Manaus e afirmou que o modelo não apresenta ganhos equivalentes aos do campo. — Agora, você não consegue fazer isso com a Zona Franca de Manaus ou os tais campeões nacionais. O problema é a produtividade — afirmou. O candidato, porém, defendeu a criação de zonas econômicas especiais em regiões onde o país tenha vantagens comparativas e logísticas. Como exemplo, citou a possibilidade de criar uma área voltada à exportação e ao processamento de produtos agropecuários no Nordeste, especialmente em torno de Petrolina (PE), polo de produção de frutas. — Eu acredito em zonas econômicas especiais para acelerar esse processo, especialmente em áreas onde o Brasil possa ter vantagens comparativas e logísticas — afirmou. O candidato afirmou que políticas setoriais ainda poderão existir em seu governo, mas disse que grande parte dos subsídios deverá desaparecer com a reforma tributária. Entre as renúncias que considera problemáticas, voltou a citar a Zona Franca de Manaus e o próprio MEI. — Um subsídio federal inefetivo, por exemplo, é a Zona Franca de Manaus. Os dois problemas maiores em termos de renúncia fiscal, por simples, é o próprio MEI, aí estão as renúncias — afirmou. Série de sabatina A série de entrevistas com os candidatos à Presidência em 2026 foi aberta por Romeu Zema (Novo), na terça-feira. Na quarta, foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD). Na sexta-feira, Augusto Cury (Avante) será o entrevistado, também às 10h30 e por uma hora e meia. O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados para as sabatinas, mas não confirmaram presença até o momento. Foram chamados os candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada na semana passada, o primeiro levantamento contratado pela TV Globo e pelo GLOBO nesta corrida eleitoral. As entrevistas são realizadas no estúdio localizado na redação do GLOBO, no Rio, que também recebeu as sabatinas com presidenciáveis na eleição de 2022. Neste ano, a bancada de entrevistadores é formada pelos jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, colunistas do GLOBO; Milton Jung, âncora da CBN; e Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor. A cobertura das sabatinas inclui reportagens nos sites dos veículos e a publicação de cortes com os principais trechos nas redes sociais do jornal. As sabatinas do GLOBO, Valor e CBN com candidatos à Presidência dão sequência à cobertura eleitoral dos jornais e da rádio. Nesta semana, também foram entrevistados os dois candidatos mais bem colocados na disputa pelo governo de São Paulo: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Os encontros foram realizados nos estúdios da CBN, na capital paulista. Na sequência, estão previstas sabatinas com candidatos ao governo de Minas Gerais entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro. A programação prevê ainda, em setembro, debates entre candidatos ao Senado em estados como Rio de Janeiro e São Paulo.
Renan Santos critica 6x1, defende jornada de 44 horas e diz que Justiça do Trabalho é a 'pior do mundo'
Em sabatina O GLOBO, CBN e Valor, candidato do Missão diz que redução da jornada elevaria a informalidade, critica medida 'populista' de Lula e defende novo regime trabalhista em substituição à CLT











