Grace Passô lançou seu primeiro longa-metragem como diretora no Festival de Gramado, na semana passada, e ainda assim parecia ser uma velha conhecida do tapete vermelho. Enquanto seu filme, "Nosso Segredo", agora já nos cinemas do país, era uma das exibições mais aguardadas do evento, o nome da diretora soava com frequência nos corredores do Palácio dos Festivais.

Em uma entrevista coletiva, Selton Mello, homenageado no evento gaúcho, classificou Passô como uma das maiores atrizes que já viu, tamanha sua "poderosa presença". Os dois trabalharam juntos em um dos episódios de "Sessão de Terapia", série da Globoplay.

Aos 46 anos, o currículo de Passô como atriz é extenso, especialmente nos palcos, onde também se tornou dramaturga. No cinema, protagonizou títulos como "Temporada", "No Coração do Mundo", "O Dia que Te Conheci" e "Praça Paris". No teatro, venceu dois prêmios Shell por "Por Elise" e "Vaga Carne", monólogo com o qual rodou o país.

"A direção de cinema é pensar várias coisas ao mesmo tempo, algo comum no teatro. Fazer teatro no Brasil te obriga a entender sobre produção", disse ela, de óculos escuros azulados e blazer, na manhã seguinte à exibição de "Nosso Segredo". Coroado como o melhor filme do festival no último sábado, o filme havia estreado em fevereiro numa mostra do Festival de Berlim.