Depois de receber do passageiro, interpretado pelo músico Mateus Aleluia, um CD com músicas gravadas e um enigma —"o que você tem esquecido na rua?"—, o motorista de aplicativo Gilson, papel de Robert Frank, dirige de volta para casa, numa Belo Horizonte de fim de tarde. Ao fazer a curva, percebe que um caminhão de lixo interrompe o trânsito. Coloca então o CD para tocar.
Nessa sequência, que Grace Passô escolheu para a abertura de seu primeiro longa-metragem como diretora, a espera dura tempo suficiente para que o homem ao volante sorria para os garis, pendurados no caminhão.
Junto com a montagem, a voz de Geraldo Azevedo, na trilha sonora, convida a reparar em pequenas belezas que vão surgindo no trajeto, como o alaranjado do céu que rima com a cor dos macacões dos lixeiros.
O filme "Nosso Segredo" acompanha a vida de uma família negra, no período que se segue à morte do pai. Uma mãe, quatro filhos, uma tia, uma vizinha e a tristeza palpável do luto, que cada um encobre como pode.
O caçula, Tutu, de nove anos —com interpretação formidável de Efraim Santos—, se faz de doente, não quer ir para a escola. O adolescente Guto, vivido por Flip, emenda baladas e picha muros –provavelmente de sua autoria, a frase "para sempre, nem o pixo" estampa o portão da casa onde moram.







