O comércio agêntico é quando agentes de inteligência artificial (IA) fazem compras em nome dos clientes e as bandeiras já começaram a testar a tecnologia com emissores e adquirentes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Painel sobre banco agêntico no Febraban Tech — Foto: Lucas Araújo/Divulgação Para executivos do setor financeiro, a tecnologia para o chamado comércio agêntico — quando agentes de inteligência artificial (IA) fazem compras em nome dos clientes — já está endereçada. Porém, ainda existem desafios para que a tendência saia dos pilotos e escale com os consumidores. No comércio agêntico, “o ponto de mudança é o momento” em que o humano participa da transação, que deixa de ser o clique final, e passa a ser a parametrização dos requisitos para a compra, explicou Giuliana Cestaro, vice-presidente de Produtos da Fiserv, em painel no Febraban Tech. “A IA sai da recomendação para a decisão”, acrescentou Giuliane Paulista, executiva de IA e Dados do Banco do Brasil. “Parece pouca coisa, mas é muito.” As bandeiras já começaram a testar a tecnologia com emissores e adquirentes. As primeiras transações no mercado brasileiro, feitas em ambiente controlado, foram concluídas em março. “Estamos preparando o mercado brasileiro e avançando rápido com emissores, para que eles possam receber agentes”, contou Leandro Garcia, diretor de Soluções de Pagamentos Digitais da Visa do Brasil. “Do outro lado, da aceitação, também estamos pilotando com alguns parceiros.” Segundo a executiva do BB, um dos desafios à frente é aprender a falar com as máquinas, na perspectiva do marketing, que, hoje, é construído para humanos. “Estamos diante de uma mudança de paradigma na forma como as empresas fazem suas estratégias de venda.” Para Rubens Orsi, superintendente do Bradesco, outra mudança se dá em relação ao processo, hoje, feito de “conheça seu cliente” (KYC, na sigla em inglês), mas que agora também deverá ser “conheça seu agente” (KYA). “Conheça o seu cliente é no momento do cadastro, o agente é no momento da transação”, explicou, sobre os momentos diferentes de aplicar a verificação. Quem assume a responsabilidade em caso de erro? Para Giuliane, a infraestrutura para que as transações agênticas aconteçam já está encaminhada, porém, o setor ainda precisa discutir questões relacionadas a quem deve assumir a responsabilidade em caso de erros dos agentes. “O ponto de atenção, hoje, não é tecnologia. A tecnologia está bem endereçada”, complementou Orsi. Giuliana também destacou como desafio a forma como os sistemas antifraude vão lidar com esses agentes, porque, hoje, o comportamento de compra que um robô faz é justamente o que essa tecnologia bloqueia. “Como eu faço para aprovar uma transação que precisa ser feita?”, questionou, como um ponto que precisa evoluir no setor. “Confiança vem antes de escala”, disse Giuliane. Para ela, esse é o papel dos bancos nessa novidade, porque são eles quem têm relação com os clientes na ponta. A executiva também levantou algumas questões filosóficas sobre o tema de porque um consumidor iria delegar suas escolhas a máquinas, já que “o poder de escolha é o que nos define como humanos”. Para ela, hoje, as pessoas têm que escolher entre muitas opções, e o comércio agêntico pode eliminar o desgaste disso. Para os executivos, outro ponto relevante que precisa evoluir é a questão da interoperabilidade. Cada empresa começou a desenvolver sua tecnologia, seus protocolos, mas, em algum momento, isso deve convergir. “Vai acontecer de forma natural”, disse Orsi. Garcia deu como exemplo o “click to pay”, que, no começo, as bandeiras disputavam espaço no checkout dos comércios, mas depois lançaram uma solução conjunta. “A nossa indústria funciona assim, começa cada um com a sua experiência própria, e é válido”, complementou Giuliana.
Tecnologia para o comércio agêntico no setor financeiro já está endereçada, apontam executivos
O comércio agêntico é quando agentes de inteligência artificial (IA) fazem compras em nome dos clientes e as bandeiras já começaram a testar a tecnologia com emissores e adquirentes








