Deflação é pontual, mas ajudará o Banco Central a continuar cortando a SelicIPCA-15 teve queda de 0,40% em agosto, com bônus na conta de luz da usina de Itaipu. Crédito: Alvaro GribelA deflação de 0,40% no IPCA-15 de agosto foi um fenômeno pontual, provocado pelos bônus da usina de Itaipu, mas houve boas notícias por dentro do indicador que devem ajudar o Banco Central a seguir cortando a Selic na reunião do Copom de setembro. O número também se soma a outros indicadores que vêm demonstrando perda de fôlego da economia brasileira - exatamente o efeito esperado pela política monetária. O IPCA-15 veio melhor do que apostava a mediana do mercado financeiro, e isso levou alguns economistas a revisar ligeiramente para baixo suas projeções para o IPCA deste ano. O acumulado em 12 meses também diminuiu de 4,52% para 4,24% - ou seja, voltou a operar abaixo do teto da meta (4,5%), mas ainda muito distante do centro de 3%.Bônus da usina de Itaipu repassada para a conta de luz ajudou o IPCA-15 a registrar deflação de 0,40% em agosto de 2026 Foto: Caio Coronel/ItaipuPUBLICIDADEPor isso, a tendência é de que o BC corte a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, mas ainda mantendo a cautela sobre os seus passos futuros. Os juros reais continuarão “contracionistas”, desestimulando o crescimento econômico. A deflação em agosto, sob nenhum ângulo, significa vitória sobre a alta dos preços.Uma vez por ano, Itaipu pega uma parte do seu resultado e injeta nas contas de luz dos consumidores brasileiros. Este ano, foram R$ 872 milhões disponibilizados pela usina. Isso quase sempre leva a uma deflação na conta de um determinado mês, mas que é rapidamente revertida no mês seguinte. Foi o que aconteceu em agosto e deve acontecer em setembro.O segundo item que mais caiu foram as passagens aéreas, um dos preços mais voláteis da economia, que pouco ajuda a entender o quadro. Os alimentos em domicílio, por sua vez, tiveram a segunda deflação seguida, de 0,97%, depois de um recuo de 1,14% em julho. PublicidadeUma das grandes dificuldades do Banco Central é conseguir reduzir a inflação de serviços. Os chamados “serviços subjacentes”, que excluem itens mais voláteis, como as próprias passagens aéreas, continuam rodando na casa de 5%, acima do teto da meta. O trabalho do BC sobre esses preços fica mais difícil com os estímulos dados pelo governo Lula para alavancar o consumo, e com a taxa de desemprego nas mínimas históricas.Outro problema é que as expectativas de inflação continuam longe da meta de 3%. Nesse caso, a análise precisa se dividir em duas. Por um lado, o mercado não projeta descontrole inflacionário, porque os números apontam IPCA mais baixo ano a ano. Mas, por outro, ninguém acredita que o índice de inflação chegará a 3%, já que as projeções estão em 5,02%, 4,8%, 3,8% e 3,5% entre 2026 e 2029.Na última ata, o BC afirmou que dependeria dos números para cortar a Selic. Até aqui, eles estão ajudando.Vale ler tambémA produção no campo segue em expansão; até que ponto a rentabilidade acompanha esse crescimento?O El Niño que vai além das chuvas: fenômeno também muda a dinâmica de pragas e doençasCom a Braskem, o Brasil bate recorde de R$ 180 bi em dívidas em recuperação judicial e extrajudicial