0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Banco Central define a cada 45 dias a taxa básica de juros que visa a manter inflação sob controle — Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo Nos últimos três meses, já considerados os efeitos da sazonalidade, a inflação tem rodado em um patamar mais baixo e surpreendido positivamente os analistas. Eles esperavam, por exemplo, uma deflação menor do que a registrada na prévia da inflação de agosto, que recuou 0,40%. Desde abril, a taxa acumulada em 12 meses do IPCA-15 não ficava dentro do intervalo de tolerância da meta. Em agosto, o indicador ficou em 4,24%, abaixo do teto de 4,5%. Ainda não é o suficiente para dar uma tranquilidade de que a inflação vai caminhar para o centro da meta, mas dá confiança de que a inflação de fato está desacelerando e de uma forma disseminada, diz Carlos Lopes, economista do banco BV. Na avaliação de Lopes, o resultado do IPCA-15, divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE, dá um pouco mais de conforto para o Banco Central fazer um novo corte nos juros básicos da economia na reunião de setembro. — Em 12 meses, a inflação segue recuando, de 4,52% em julho para 4,24% em agosto. Gostamos de olhar sempre as variações dos últimos meses, com os ajustes sazonais, em termos anualizados. Quando fazemos isso olhando para cada grupo, percebemos que todos têm apresentado, na margem, um comportamento um pouco melhor. A situação não é tranquila. Ainda temos uma inflação bastante acima da meta, com pressão principalmente em serviços, que estão rodando em 5,5% em 12 meses. Mas os dados atuais dão essa confiança para pelo menos mais um ajuste e, aí, continuar observando como a inflação evolui para frente — avalia o economista do BV. Para Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, além de reforçar a probabilidade de corte da Selic em setembro, tanto o resultado mensal quanto o acumulado em 12 meses abrem a possibilidade de uma flexibilização adicional nas reuniões seguintes. Ela pondera que, apesar de a inflação de serviços ainda estar elevada, houve uma desaceleração em relação ao acumulado em 12 meses até julho, quando estava em 5,95%. Na análise da economista, isso mostra que há um cenário benigno para a inflação que vai além da sazonalidade, que costuma dar algum alívio aos preços de alimentos nessa época do ano, e incorpora também uma menor pressão da demanda. — Os indicadores mensal e acumulado em 12 meses reforçam o processo de desinflação de curto prazo, com menor pressão dos preços ligados ao choque de commodities, como combustíveis e alimentos, e a bem-vinda desaceleração dos preços de serviços — pontua Marcela.