A minha mãe tinha uma montoeira de irmãs. Ao longo da vida da dona Iracema, "as meninas" sempre foram meio autossuficientes como amigas, focos de fofoca, alívio, alérgeno, patógeno e cura.
Mas ela teve suas amizades em outros lugares. Por exemplo, na escola onde trabalhou como professora de educação infantil. E de vez em quando, por lá, surgia alguma pessoa nova (normalmente nova também em idade) que dava uma sacudida na pasmaceira curitibana do grupo e gerava uma passageira noção de integração, de sororidade. Aí coisas aconteciam.
Numa dessas situações, eu lembro que ela foi ao cinema (pelo que me informa a internet, isso deve ter sido em 1981) para ver "Como Eliminar Seu Chefe", com Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton.
Uma coisa que precisa ser dita é que dona Iracema falava. Muito e com muito gosto. Conversadeira. Empolgadíssima.
E sempre incluiu os dois filhos em tudo que fez. Reformar uma cama, enrolar lã de uma peça de crochê que tinha que desmanchar (nunca vi alguém fazer crochê com a precisão e a velocidade da minha mãe: ainda consigo ouvir o zunido constante da agulha enquanto ela contava pontos em silêncio e via televisão).













