Dolly Parton, morta nesta terça-feira, dia 25, foi uma feminista radical. Talvez não seja a primeira coisa que venha à cabeça quando a gente pensa nela, porque antes vêm os peitos, o cabelo, as unhas, as roupas cheias de franjas e brilhos, aquela voz e, claro, "Jolene". Mas Dolly passou a vida fazendo exatamente o que queria num mundo que sempre teve muitas opiniões sobre o que uma mulher deveria fazer, vestir, cantar, mostrar, esconder e, principalmente, desejar.

Ela compôs "9 to 5", um hino sobre mulheres trabalhando muito, ganhando pouco e aguentando chefes homens que levavam o crédito. Compôs "Jolene", que é praticamente uma aula sobre como transformar ciúme e insegurança em três minutos de perfeição. E compôs "I Will Always Love You", que muita gente ainda acha que é da Whitney Houston. Não é. É da Dolly, que teve inclusive a inteligência de não entregar metade dos direitos da música para Elvis Presley quando o empresário dele exigiu isso para que Elvis a gravasse.

Dolly tocava violão com aquelas unhas postiças gigantescas e descobriu que podia usá-las como instrumento. O ritmo que se ouve em "9 to 5" foi feito com as unhas dela. É uma informação tão Dolly Parton que parece inventada.