Segundo a empresa, o valor do acordo pode chegar a US$ 18 bilhões se cumpridas duas condições relacionadas aos rivais Tik Tok e e YouTube 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Meta chegou um acordo multibilionário para encerrar acusações apresentadas por 29 Estados dos Estados Unidos de que a companhia projetou o Facebook e o Instagram para viciar crianças, enganou consumidores sobre a segurança das plataformas e coletou de forma imprópria dados pessoais de crianças que utilizavam seus serviços, mostram documentos judiciais. Segundo a empresa, o valor do acordo pode chegar a US$ 18 bilhões se cumpridas duas condições relacionadas aos rivais Tik Tok e e YouTube. Desse montante, os Estados americanos podem receber até US$ 16,68 bilhões. A diferença diz respeito às custas processuais. As ações da Meta operavam perto da estabilidade nas primeiras negociações desta quarta-feira (26). Para Carolina Rossini, professora da Universidade de Massachusetts, o valor "do acordo é um começo, não uma solução. O dinheiro compensa danos passados; não faz nada em relação ao produto que continua causando esses danos. A menos que o acordo obrigue uma reformulação genuína — por exemplo, removendo mecanismos de engajamento criados para explorar o desenvolvimento neurológico de adolescentes, e não apenas acrescentando controles cosméticos de segurança —, o dano continuará no dia em que o pagamento for feito. E reformulação sem responsabilização é apenas um comunicado à imprensa: precisamos de auditorias independentes, acesso de pesquisadores aos dados das plataformas e metas verificáveis, com penalidades em caso de descumprimento. A Meta já prometeu mudar antes. A questão é quem vai verificar isso desta vez e o que acontecerá se ela não cumprir.” Dennis Dick, fundador e analista de estrutura de mercado da Triple D Trading, destacou que "essa era uma grande incerteza que pesava sobre as ações da Meta". "Então, agora elas têm esse movimento de alívio. É uma incerteza para todas as empresas de redes sociais. Isso traz algum alívio? Não sei, porque, mais uma vez, não é como se elas tivessem sido consideradas inocentes. Houve um acordo. Então não tenho certeza do que isso significa para outras empresas de redes sociais. Eu colocaria isso na categoria de incerteza.” O estrategista-chefe de mercado do IG Group Chris Beauchamp avaliou que o "mercado está vendo o acordo de forma positiva, como mostra a alta das ações no pré-mercado". Ele destacou que "os investidores parecem aliviados porque a penalidade não foi tão severa quanto poderia ter sido, considerando a dimensão do caso e o potencial para uma multa muito maior.” Beauchamp acrescentou que o “acordo é mais significativo pelo que diz sobre o ambiente regulatório e reputacional mais amplo. Há um escrutínio crescente sobre o impacto das redes sociais, especialmente entre pais e usuários mais jovens, e as medidas exigidas indicam que os reguladores estão adotando uma postura mais dura.” “Essa notícia sobre o acordo elimina uma grande pressão", afirmou Robert Pavlik, gestor sênior de portfólio da Dakota Wealth. "Não elimina todas as pressões, mas elimina a de âmbito federal. Ainda há uma série de processos e casos contra a empresa, e ela terá de chegar a acordos ou resolvê-los de alguma forma. Mas acho que o mercado está vendo isso como um primeiro obstáculo que a companhia, pelo menos por enquanto, conseguiu superar.” Pavlik disse que foi uma surpresa o fato de ter havido um acordo. "Não acho que alguém realmente esperasse que isso acontecesse, especialmente hoje.” Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B. Riley Wealth, vê a possibilidade de abalo nas redes sociais. “Isso tem potencial para se tornar um caso decisivo capaz de abalar profundamente as redes sociais, se de fato, após o longo processo judicial, ficar provado que a Meta fez algo nocivo ao projetar seu produto para ser viciante, especialmente para crianças pequenas. Então acho que ainda é muito cedo no processo e nem sei como o mercado está precificando essa possibilidade." "Mas eu diria que, quando se olha de forma mais ampla para o que isso pode representar, as empresas envolvidas teriam de fazer mudanças enormes em seus algoritmos e na forma como operam. E isso coloca a segurança das redes sociais em evidência num momento em que muitas pessoas estavam pensando sobre a segurança da inteligência artificial. Então é algo que surgiu meio de surpresa, enquanto todos estavam preocupados com a inteligência artificial e sua segurança”, disse Hogan. — Foto: Bloomberg