Em 26 de agosto, a Meta concordou em pagar até US$ 17 bilhões, ao longo de dez anos, para encerrar as ações de uma coalizão suprapartidária de procuradores estaduais americanos que a acusavam de projetar o Facebook e o Instagram para viciar crianças, enganar o público sobre os danos e coletar dados de menores de 13 anos sem consentimento.
O acordo, anunciado pela Meta, encerra um julgamento federal que mal havia começado em Oakland, na Califórnia. Na abertura, a advogada da Califórnia resumiu a tese em quatro palavras: o modelo de negócios da Meta seria "fisgar" os usuários, "retê-los", "colher" seus dados e "esconder" os danos. Os estados não processaram a empresa pelo que os usuários publicam —terreno protegido pela Seção 230—, mas pelo design do próprio produto. A pergunta jurídica deixou de ser o que os usuários fizeram na plataforma e passou a ser o que a plataforma fez com eles.
O leitor não deve avaliar o acordo pelo número da manchete. Os US$ 17 bilhões equivalem a cerca de 1% da receita esperada da Meta na década e são pequenos diante do Acordo do Tabaco de 1998, no qual as fabricantes de cigarros pagaram mais de US$ 206 bilhões em 25 anos, com pagamentos enquanto os cigarros existiam. A obrigação da Meta é um décimo disso e acaba.











