Gerando resumoOAKLAND — A Meta concordou em pagar US$ 17 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 87 bilhões) e adicionar medidas de segurança infantil às suas plataformas Facebook e Instagram para encerrar um julgamento histórico sobre o vício em redes sociais entre adolescentes e resolver as ações movidas por 47 estados americanos, anunciaram os procuradores-gerais estaduais nesta quarta-feira, 26.PUBLICIDADECalifórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey estavam entre os 29 estados que processaram a gigante da tecnologia em 2023, mas o acordo interrompe o julgamento, que deveria levar o CEO Mark Zuckerberg a depor perante um júri em um tribunal federal na Califórnia.O acordo tem um valor de 353 milhões de dólares apenas na Virgínia e é um dos maiores da história da proteção ao consumidor do estado, afirmou o procurador-geral Jay Jones em comunicado.PublicidadeLogotipo da placa da Meta no topo de um prédio de vidro. Foto ilustrativa. Foto: Askar - stock.adobe.com“Durante anos, a Meta enganou intencionalmente o público sobre as características viciantes e prejudiciais do seu design, que causaram estragos na saúde mental dos jovens”, disse Jones. O acordo “colocará um fim a essas práticas perigosas e proporcionará uma reparação significativa que protegerá as crianças dos danos online”.A Meta não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O acordo de US$ 17 bilhões representa uma fração da receita da empresa em 2025, estimada em US$ 201 bilhões.O processo acusava a Meta de contribuir para a crise de saúde mental juvenil ao criar deliberadamente funcionalidades que viciam crianças em suas plataformas e ao ocultá-las do público. Alegava também que a Meta violou leis federais ao coletar rotineiramente dados de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos pais.PublicidadeO julgamento começou na semana passada em Oakland, Califórnia, sob a presidência da juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers. Adam Mosseri, chefe do Instagram, iniciou seu depoimento na noite de terça-feira, 25, e defendeu o histórico e o progresso da Meta em relação à segurança e privacidade infantil.Erin Popolo segura uma foto de sua filha Emily Murilla, que morreu aos 17 anos. Foto: Noah Berger/APOs casos em outros estados deveriam ir a julgamento posteriormente. Além disso, nove procuradores-gerais entraram com ações judiciais em seus respectivos estados.Nos termos do acordo proposto, a Meta concordou em adotar uma série de medidas de segurança, incluindo um limite máximo diário e pausas para crianças que utilizam o Instagram e o Facebook.PublicidadeA medida eliminará as notificações push durante o horário escolar em dias úteis e implementará medidas robustas de verificação de idade e controles de conteúdo apropriados para cada faixa etária, a fim de prevenir o bullying e a disseminação de material prejudicial sobre distúrbios alimentares e automutilação.Leia tambémA Shein era a grande promessa da moda rápida. Agora, luta por uma segunda chanceCrise da Casas Bahia expõe fragilidades do varejo dependente de créditoHaverá controles parentais mais robustos e fáceis de usar, além de limites para recursos de comparação social, como a contagem de “curtidas”.O processo federal foi resultado de uma investigação liderada por uma coalizão bipartidária de procuradores-gerais da Califórnia, Flórida, Kentucky, Massachusetts, Nebraska, Nova Jersey, Tennessee e Vermont. Ele foi instaurado após reportagens jornalísticas, a primeira delas publicada pelo The Wall Street Journal em 2021, que revelaram que a empresa tinha conhecimento dos danos que o Instagram pode causar aos adolescentes — especialmente às meninas — em relação a problemas de saúde mental e imagem corporal.PublicidadePUBLICIDADEDesde então, a Meta adicionou uma série de recursos de segurança ao Instagram, incluindo contas separadas para adolescentes com proteções mais robustas em relação a mensagens e privacidade, além de restrições de conteúdo.Mas especialistas em segurança infantil, juntamente com alguns ex-funcionários da Meta, argumentam há muito tempo que esses recursos são pouco mais do que uma mera fachada.Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia da Meta, afirmou em seu depoimento na semana passada que a Meta priorizava consistentemente o lucro em detrimento da segurança no desenvolvimento de seus produtos, focando na frequência e duração de uso, mesmo que isso fosse prejudicial ao bem-estar mental das pessoas.Publicidade“Se você se afastar do produto, eles não vão ganhar dinheiro nenhum”, disse ele.Embora os quatro estados envolvidos no julgamento de Oakland não tenham divulgado oficialmente o valor que buscavam, Meta afirmou em um documento judicial que as penalidades financeiras no caso poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão — um valor que especialistas jurídicos consideraram improvável, senão impossível. /APVale ler tambémO El Niño que vai além das chuvas: fenômeno também muda a dinâmica de pragas e doençasCom a Braskem, o Brasil bate recorde de R$ 180 bi em dívidas em recuperação judicial e extrajudicialVarejo descobre o custo de ser grande e fecha mais de 1,1 mil lojas desde 2022