Marcelo Serrado já falou publicamente sobre um período marcado por crises de ansiedade e pânico. O ator relatou episódios em diferentes momentos, inclusive durante uma viagem com a família para Orlando, nos Estados Unidos, quando chegou a interpretar as sensações que sentia como sinais de que estava diante de uma situação de risco. Em outro episódio, ocorrido durante a pandemia, também precisou lidar com os efeitos físicos e emocionais da ansiedade. Em uma dessas situações, Marcelo contou que sentiu uma forte agonia durante um voo e teve pensamentos catastróficos, que acabaram intensificando o desconforto. Ele também disse que procurou ajuda profissional e fez tratamento com terapia e medicamentos. "Acabei tendo uma crise de pânico e ansiedade, e não sabia o que era. Achei que fosse morrer e que estava tendo um troço", afirmou em entrevista ao "Gshow". Quando o medo aparece sem um perigo real Uma crise de pânico pode surgir de forma repentina e provocar manifestações físicas e emocionais intensas. Palpitações, falta de ar, tremores, tontura, sensação de perda de controle e medo intenso estão entre os sintomas possíveis. Pela intensidade, essas manifestações podem ser confundidas com sinais de uma emergência médica. Para o psiquiatra Tales Vilela, a própria resposta do organismo pode contribuir para essa percepção de ameaça. "Durante uma crise de pânico, o organismo entra em um estado de alerta muito intenso, mesmo sem que exista necessariamente um perigo concreto naquele momento. O coração acelera, a respiração muda e surgem sensações físicas que podem ser interpretadas como sinais de que algo muito grave está acontecendo. Essa interpretação aumenta ainda mais o medo e pode criar um ciclo difícil de interromper", descreve. Como pensamentos catastróficos podem intensificar os sintomas No caso de Serrado, o ator contou que pensamentos relacionados a situações graves contribuíam para aumentar o desconforto. Essa relação entre o que a pessoa pensa, sente e percebe no próprio corpo pode ter papel importante durante um episódio de pânico. O psiquiatra Ciro Jorge explica que uma das dificuldades está justamente na interpretação das manifestações físicas. "Um dos mecanismos que podem manter a crise é a interpretação equivocada das sensações corporais. Uma palpitação pode ser percebida como sinal de um infarto, uma tontura como indicação de desmaio iminente e a falta de ar como algo que levará à morte. Quando a pessoa entende que esses sintomas podem fazer parte da resposta de ansiedade, ela começa a ter mais recursos para lidar com o episódio", pontua. Estresse prolongado pode aumentar a vulnerabilidade Marcelo também já relacionou seus episódios a um período de ansiedade, cansaço profissional e burnout. Ao falar sobre a experiência, contou que buscou acompanhamento e passou a incorporar mudanças à rotina, como meditação e atividade física. Períodos prolongados de estresse podem contribuir para o agravamento de sintomas de ansiedade, embora a relação não seja necessariamente direta ou igual para todas as pessoas. Segundo Tales, alterações persistentes no funcionamento cotidiano merecem atenção. "O estresse contínuo pode aumentar a vulnerabilidade a quadros de ansiedade e contribuir para o aparecimento ou agravamento das crises. Quando a pessoa permanece durante muito tempo em estado de cobrança, preocupação ou exaustão, é importante observar os sinais do organismo. Insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e sintomas físicos recorrentes podem indicar que é necessário buscar ajuda", alerta. Crise de pânico não é sinal de fraqueza Ao tornar sua experiência pública, Marcelo Serrado também colocou em discussão a saúde mental entre homens. O ator já afirmou que decidiu falar sobre o assunto para mostrar que a vulnerabilidade emocional não é incompatível com a masculinidade. Para Ciro, o estigma em torno dos transtornos mentais pode fazer com que algumas pessoas adiem a busca por atendimento. "Crise de pânico não tem relação com falta de força de vontade ou fraqueza de caráter. É uma condição que pode acontecer com diferentes pessoas e precisa ser compreendida dentro de um contexto individual. Procurar ajuda não diminui ninguém, pelo contrário, demonstra que existe disposição para entender o problema e buscar uma forma adequada de tratamento", pondera. O que fazer durante um episódio Durante uma crise, a intensidade das sensações pode dificultar a percepção do que está acontecendo. Ter orientação prévia sobre os sintomas e sobre as estratégias que podem ajudar a lidar com eles é uma das formas de se preparar para novos episódios. Tales afirma que reconhecer os primeiros sinais pode ajudar a reduzir o medo diante de uma nova ocorrência. "Reconhecer os primeiros sinais é importante porque permite que a pessoa compreenda que aquilo é uma crise e que tende a passar. Técnicas de respiração, redução de estímulos, permanência em um ambiente seguro e orientação profissional podem ajudar. Mas é fundamental que essas estratégias façam parte de um acompanhamento adequado, principalmente quando os episódios são recorrentes", orienta. Quando buscar ajuda O tratamento pode envolver diferentes abordagens, de acordo com as características de cada paciente. No caso de Serrado, ele contou ter recorrido a terapia e medicamentos e, posteriormente, incorporado outras mudanças à rotina. A avaliação profissional considera aspectos como frequência dos episódios, possíveis fatores associados, presença de outros transtornos de ansiedade e impacto na vida cotidiana. Não há uma única estratégia indicada para todas as pessoas. "Quando as crises se repetem, provocam mudanças importantes no comportamento ou fazem com que a pessoa comece a evitar situações por medo de ter um novo episódio, é hora de procurar avaliação profissional. O tratamento adequado pode reduzir a frequência e a intensidade das crises e permitir que o paciente retome atividades que deixou de realizar por causa do medo", conclui o psiquiatra.