"Você está passando pano para o Banco Central", diz a moça com a voz indignada e a melhor das intenções no coração. Minha resposta sobre as altíssimas taxas de juros de fato foca os erros do governo, relegando o BC a um papel secundário.
Pode parecer estranho, mas é assim. O Banco Central tem o poder de escolher entre juros maiores, que esfriam a economia e reduzem pressões inflacionárias, ou juros menores, que estimulam a economia, mas podem gerar inflação. O BC, porém, tem pouco poder para melhorar os parâmetros dessa escolha.
O que nós queremos é inflação de 3% e juros a 6% ao ano. Hoje, isso está completamente fora do alcance do BC. É função do governo, não do BC, criar condições para que isso seja factível.
"O problema é que a Selic alta, escolhida pelo BC, gera uma conta enorme de juros para o governo pagar, alimentando o déficit fiscal e a dívida", me explica o rapaz com a voz agitada. É verdade. Será que o BC poderia reduzir a Selic, reduzindo assim o pagamento de juros, de modo que chegássemos a uma situação com juros menores e inflação menor?
Essa proposição foi testada em 2011. Sob o comando de Alexandre Tombini, o Banco Central reduziu as taxas de juros em um momento em que a inflação pressionava. Os juros caíram, mas a inflação aumentou e anos depois o BC teve que levar os juros a 14% ao ano para trazer a inflação de volta à meta.






