Sinal é visto como preocupante para a legenda do presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cabines de votação são vistas em um local de votação durante o segundo turno das primárias republicanas entre a senadora Darline Graham (R-SC) e o deputado Ralph Norman (R-SC) pela vaga da Carolina do Sul no Senado dos Estados Unidos, em Cayce, no condado de Lexington, Carolina do Sul, EUA, em 25 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Sam Wolfe O Partido Democrata conquistou uma vantagem significativa sobre os republicanos na percepção dos eleitores sobre qual partido tem uma abordagem melhor para o custo de vida, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira. O sinal é visto como preocupante para a legenda do presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato. O levantamento, realizado ao longo de quatro dias e concluído na segunda-feira, perguntou a 951 eleitores registrados qual partido tinha um plano ou uma abordagem melhor para lidar com o custo de vida. Trinta e seis por cento escolheram os democratas e 28% os republicanos. Os demais disseram não ter certeza ou avaliaram que nenhum dos dois partidos tinha uma boa abordagem para a questão. A diferença de oito pontos percentuais foi a maior vantagem dos democratas desde que a Reuters/Ipsos começou a fazer a pergunta, em outubro de 2025. Os democratas passaram a registrar pequenas vantagens nessa questão depois que Trump iniciou uma guerra contra o Irã, em fevereiro, que levou os preços da gasolina para perto de níveis recordes. “Não acho que seja ótimo para os republicanos”, afirmou Jeanette Hoffman, consultora política republicana. Hoffman, porém, disse que os democratas também não aparecem em uma posição muito melhor, considerando que uma parcela significativa dos entrevistados — 37% — afirmou não saber qual partido era melhor nessa questão ou disse que nenhum dos dois era. “Eu preferiria estar oito pontos à frente nessa questão a estar oito pontos atrás. Mas também não acho que os democratas devam estar muito satisfeitos com isso”, afirmou Hoffman. Adesivos de votação ficam sobre uma mesa em um local de votação no dia das eleições primárias, em Minneapolis, Minnesota, EUA, em 11 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Tim Evans Controle do Congresso em disputa Ao longo deste ano, os eleitores têm indicado que o custo de vida será o fator mais importante na hora de decidir seu voto em novembro, quando estarão em disputa todas as cadeiras da Câmara dos Deputados e 35 vagas no Senado dos EUA. Vários candidatos democratas estão colocando o custo de vida no centro de suas campanhas. James Talarico, democrata do Texas que disputa uma vaga no Senado, apareceu em anúncios de televisão carregando sacolas de supermercado como evidência de que os texanos estão “se afogando” em preços mais altos. A mensagem pode ajudar Talarico, cuja disputa é amplamente considerada favorável aos republicanos ou indefinida em um Estado fortemente republicano que, em circunstâncias normais, seria uma aposta segura para o partido. Os republicanos, no entanto, ainda têm vantagem em nível nacional em outras questões, como imigração e criminalidade. Hoffman afirmou que os candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato precisam destacar aos eleitores que o partido enfrentou o problema do custo de vida por meio de cortes de impostos, ao mesmo tempo em que alertam que o Partido Democrata está se tornando mais radical à medida que socialistas democráticos ganham influência. Os democratas defendem o aumento do salário mínimo federal, enquanto integrantes do partido alinhados aos socialistas democráticos propõem disponibilizar a todos os americanos o Medicare, programa federal de seguro-saúde, em vez de restringi-lo principalmente a idosos e pessoas com deficiência. Para os republicanos, perder o controle de qualquer uma das Casas do Congresso poderia dificultar a agenda de Trump nos dois últimos anos de seu mandato. Embora os combates na guerra contra o Irã tenham diminuído, Teerã mantém um bloqueio aos carregamentos de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz, mantendo elevados os preços globais do petróleo e pressionando as finanças das famílias americanas. Trump afirmou na semana passada que não havia negociações de paz previstas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante um evento de volta às aulas na Casa Branca, em Washington, na segunda-feira, 24 de agosto de 2026 — Foto: AP Foto/Alex Brandon Preocupação com gasolina e alimentos Christopher Nicholas, estrategista republicano na Pensilvânia, afirmou que Trump não fez o suficiente para responder às preocupações dos eleitores com o custo de vida, deixando os republicanos vulneráveis em uma questão que pode influenciar as eleições de meio de mandato e que também pesou sobre o ex-presidente democrata Joe Biden. “Essa é uma oportunidade fácil para o partido que está fora do poder, que são os democratas”, afirmou Nicholas. “Manter mais baixos os preços dos medicamentos prescritos é um bom começo, mas isso parece estar se perdendo dentro da questão mais ampla da saúde, na qual os preços parecem avançar acima da inflação todos os anos”, afirmou. “Os eleitores sentem os preços da gasolina e dos alimentos, que estão interligados, toda semana quando vão ao supermercado e ao posto de combustível.” Os índices de aprovação do próprio presidente estão nos níveis mais baixos tanto deste mandato quanto de seu primeiro. Atualmente, apenas metade dos republicanos aprova a forma como Trump lida com o custo de vida, muito abaixo dos oito em cada dez que aprovam seu desempenho geral como presidente. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada no início deste mês mostrou que, pela primeira vez em cerca de uma década, os eleitores apontavam os democratas, e não os republicanos, como mais preparados para conduzir a economia. A pesquisa mais recente mostrou os democratas com uma vantagem de dois pontos percentuais sobre os republicanos nessa área.