Parlamentares da oposição planejam estratégia para tentar protelar análise da proposta, uma das bandeiras do governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Omar Aziz (à esq.) e senador Otto Alencar em sessão da CCJ do Senado — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado Senadores aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam para que a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6x1 seja votada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na quarta-feira da próxima semana (2 de setembro). Se a data se confirmar, matéria poderá ser votada pelo plenário da Casa ainda no período de esforço concentrado. A ideia é que o relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), leia o seu parecer na comissão na quarta-feira. Segundo apurou o Valor com pessoas a par das negociações, ele não deve realizar mudanças no conteúdo do texto, de forma a evitar que a PEC retorne para a análise dos deputados federais e a evitar críticas de que o teor da matéria não foi discutido previamente. Depois, o presidente da CCJ, o governista Otto Alencar (PSD-BA), deve conceder um período de vistas coletivas — quando a votação de um texto é adiada para que os senadores tenham tempo de analisá-lo — de algumas horas. O objetivo é conter as ofensivas pelo adiamento da deliberação da PEC, que devem ser protagonizadas por parlamentares do grupo político do candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e dar um período de vistas coletivas de somente algumas horas. Senadores bolsonaristas pretendem apresentar requerimentos para a realização de audiências públicas para debater o fim da 6x1 e outros instrumentos para tentar protelações sucessivas da deliberação da PEC. Se não for votada até o final da próxima semana, a apreciação do texto pelo Senado ficará para depois das eleições, uma vez que os senadores não devem mais para trabalhos no Legislativo até o fim das disputas eleitorais. Ainda, para contemplar as visões dos setores produtivos que devem ser afetados pelos efeitos dessa PEC, os senadores podem realizar uma audiência pública para discutir o fim da 6x1 antes da quarta-feira. O líder do MDB na Casa, senador Eduardo Braga (AM), por exemplo, já apresentou um requerimento solicitando que seja feito um debate com entidades sindicais e representantes do empresariado. Posteriormente, se for aprovada pela CCJ, senadores governistas acreditam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o texto em plenário na própria quarta ou na quinta-feira. A avaliação deles é que o amapaense, desde a sua reconciliação com Lula, tem demonstrado boa vontade com o governo. Também pesa nessa visão o fato de que Alcolumbre, caso queira se reeleger para a presidência da Casa no início de 2027, dependeria do apoio do atual presidente da República. Entre parlamentares da oposição, outros nomes são cotados para disputar este posto, como o do senador Rogério Marinho (PL-RN) — coordenador da campanha de Flávio à Presidência — e o da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Procurado por meio de sua assessoria, ele não se manifestou. Nesta terça-feira (25), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, transmitiu expectativa semelhante. Segundo o ministro, o governo tem a expectativa que Alcolumbre coloque a PEC para votar em plenário na próxima semana. "A nossa expectativa é votar [no plenário] antes da eleição. A nossa expectativa é ter o fim das seis por um promulgado pelo presidente Lula antes das eleições. Como você sabe, PEC é promulgação, não tem sanção. Mas, uma vez aprovada no plenário do Senado Federal, a Câmara aprovou em um dia. Votou em primeiro turno, fez quebra do interstício e votou em segundo turno num único dia. Por que não pode ser feito isso no Senado Federal? Nós achamos que isso pode, deve ser feito", declarou o ministro a jornalistas após audiência pública no Senado. Boulos também disse estar "animado" com as "sinalizações" dadas por Aziz e Otto. Ele ainda afirmou não acreditar que o presidente do Senado vai apresentar obstáculos para pautar a PEC em plenário e criticou a atuação de Flávio contra o tema. "Estamos animados com as sinalizações dadas pelo relator Omar Aziz, pelo senador Otto Alencar, presidente da CCJ, de que vai pautar. E, pelo que eu entendi do diálogo com o presidente Davi Alcolumbre, também ele não vai colocar nenhum óbvio de pautar no plenário do Senado. Isso é uma vitória da classe trabalhadora brasileira", pontuou o ministro.
Senadores da base de Lula articulam votação da PEC do fim da escala 6x1 para 2 de setembro
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