Candidato do Novo foi o primeiro presidenciável da série de sabatinas no estúdio do jornal; Ronaldo Caiado é o próximo, nesta quarta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Romeu Zema com Milton Jung, Malu Gaspar, Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim na sabatina O Globo/CBN e Valor — Foto: Ana Branco / Agência O Globo Primeiro presidenciável a participar das sabatinas O GLOBO, CBN e Valor na eleição deste ano, Romeu Zema (Novo) passou por temas tradicionais de seus discursos, como as críticas ao Judiciário, analisou a situação econômica do país e explicou o que pensa na área de segurança pública. Disse ainda que não recuará dos comentários sobre a relação entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Veja a seguir, em cinco pontos, os principais temas da entrevista. Críticas ao STF Na linha de manter os ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma das causas que mais abraça, Zema disse que as revelações do caso Master indicam que "tem gente" usando a cadeira na Corte para fazer negócios. Episódios como os relacionados a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, alegou sem mencioná-los nominalmente, motivariam punições severas em outros países. — Em qualquer país civilizado, já teriam sido expelidos, estariam em situação insustentável. E a nossa permissividade ou impunibilidade tem permitido a continuidade — afirmou o ex-governador de Minas Gerais. Na sabatina, ele mencionou notícias que remetem aos dois magistrados: o contrato do escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o Master, e os negócios da família de Toffoli em um resort. Flávio Bolsonaro e caso Master Sempre propenso a falar da atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, o presidenciável disse que não recuará das críticas a Flávio Bolsonaro (PL) na esteira do caso Master. A estratégia de bater no filho de Jair Bolsonaro levou a discordâncias internas na campanha do mineiro, que vive um constante vaivém na relação com o bolsonarismo. Nos últimos dias, acenou a diversas pautas caras à extrema direita, como a anistia aos presos pelo 8 de janeiro. Zema também buscou se afastar das acusações de envolvimento da Cemig, empresa estatal mineira, nas investigações sobre o banco, e do fato de o pai de Vorcaro ter feito uma doação ao Novo em 2022. — Pedi para o atual governador que investigue a fundo e que a receita apure a sonegação. Sou totalmente favorável. Não quero que ninguém fique protegido. Quero investigação a fundo — afirmou. Segurança e El Salvador Assim como fez na véspera, na sabatina da TV Globo, Zema escolheu El Salvador, onde Nayib Bukele colocou em curso um regime de exceção para enfrentar a criminalidade, como modelo a ser observado, apesar de ter negado que queira fazer uma “cópia” no Brasil. — Eu fui lá conversar com pessoas que viviam em comunidades que eram controladas pelo crime, pelas facções que eu considero terroristas, e agora tem uma vida diferente. Conversei com umas 40 pessoas: dona de casa, estudante, dono de oficina, motorista de aplicativo. Todos, sem exceção, disseram que a vida melhorou muito — contou. — O que quero no Brasil não é cópia de El Salvador. Como empresário, eu fazia benchmarking, adaptava. O que quero é reconquistar territórios ocupados pelo crime. A inspiração, contudo, parece se dar de forma genérica, já que o candidato negou que queira imprimir em solo brasileiro o modelo de exceção que restringiu o habeas corpus e fez prisões em massa sem o devido processo legal. Ao se esquivar de dizer exatamente o que replicaria do país da América Central, passou a falar de discussões brasileiras recentes e voltou a criticar o Judiciário ao ecoar a ideia de que “a polícia prende, a Justiça solta”. De acordo com ele, mudanças na legislação são necessárias, e as propostas levadas por sete governadores ao então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski não teriam sido incluídas na PEC da Segurança, que o governo Lula ainda tenta aprovar. — Tenho certeza que 99% dos brasileiros concordam: alguém que cometeu delito pela terceira vez não pode mais ser liberado na audiência de custódia. Quero que na terceira vez ele fique com uma prisão preventiva decretada — apontou. — Quero que o policial tenha liberdade de abordagem. Ele fica pisando em ovos pois tem que responder processo e pagar do bolso. Pauta fiscal, administrativa e trabalhista Instado a falar sobre a necessidade de um ajuste fiscal no país, o candidato à Presidência se classificou como "especialista em ajuste" ao citar o que fez no governo de Minas. Também defendeu que a idade mínima para a aposentadoria acompanhe a variação na expectativa de vida. — Vamos dizer que a expectativa de vida do brasileiro aumentou em três anos. Vai ter, de acordo com o cálculo atuarial, um ajuste do tempo de contribuição de acordo com essa maior expectativa de vida — explicou. Zema associou o endividamento das famílias e a quantidade de empresas que estão entrando em recuperação judicial à alta taxa de juros do país, apesar de a promessa de diminuir o patamar da Selic ter sido feita de forma genérica, sem soluções concretas. Entre as medidas que quer fazer avançar, deu prioridade à reforma administrativa que tramita no Congresso. — Reforma administrativa é fundamental. Está lá há mais de dez anos. Parece que nenhum presidente quis enfrentar isso — disse. Questionado sobre o aumento da dívida de Minas durante sua gestão, o candidato classificou o volume como "impagável" por causa do sistema de cobrança. Afirmou ainda que a origem da dívida é antiga e que herdou um estado que não pagava servidores, por exemplo. — Funcionário em Minas não recebia décimo terceiro. Era justo pagar a (dívida com a) União e a aposentada não receber décimo terceiro, não receber salário em dia? Outro ponto relacionado ao universo do trabalho foi a situação dos trabalhadores de aplicativo. Para Zema, os motoristas deveriam ser, no mínimo, microempreendedores individuais (MEI). Assim, apontou, teriam contribuição previdenciária, e o trabalho contaria como tempo de serviço. Apesar da defesa, alegou que cabe ao mercado, e não ao governo, resolver isso. Privatizações As privatizações são uma pauta central do Novo. Segundo Zema, seu governo dividiria instituições como o Banco do Brasil e a Petrobras por áreas a fim de viabilizar o processo de privatizá-las. Os recursos, de acordo com o presidenciável, seriam usados “para melhorar a vida do brasileiro”. A despeito de ter negado a intenção de privatizar a Caixa Econômica Federal, seu conselheiro econômico, Carlos da Costa, sentenciou recentemente que Zema o faria se fosse eleito presidente.