Candidato à Presidência criticou supostas apurações ‘tendenciosas’ e defendeu que casos envolvendo aliados e adversários sejam investigados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Romeu Zema na sabatina O GLOBO, CBN e Valor — Foto: Ana Branco /Agência O Globo O candidato à presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, durante sabatina promovida por O GLOBO, CBN e Valor, que o Judiciário brasileiro está sendo “nitidamente” utilizado para fazer política. Ao defender investigações contra diferentes autoridades e políticos, o ex-governador de Minas Gerais disse ser favorável à apuração de denúncias sem distinção e criticou o que chamou de investigações “tendenciosas”. — Temos Judiciário que está sendo usado nitidamente para fazer política — afirmou Zema. Questionado sobre quais investigações considerava tendenciosas, Zema citou um processo movido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes contra ele e mencionou o caso de um jornalista do Maranhão cuja fonte, segundo o candidato, estaria sendo perseguida. Também defendeu que sejam esclarecidas as suspeitas envolvendo o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), "Dark Horse", que teve um investimento pouco mais de US$ 12 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. — Será que a investigação está sendo feita de maneira adequada? Espero que seja. Precisa dar explicações a respeito. O filme, pelo que já foi dito, parece que tem valor que não é condizente com a produção. Que seja explicado. Sou favorável à transparência. Já falei: apure tudo, prenda — disse, em referência ao caso. De acordo com o mineiro, o Supremo se transformou em um "balcão de negócios" para alguns ministros. Nesta seara ele fez referência ao contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master. O candidato também citou a negociação envolvendo o Tayayá Aqua Resort, no Paraná, empreendimento que teve participação societária de Dias Toffoli e posteriormente foi vendido a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Além disso, ele pontuou o convite do banqueiro para o ex-governador do Rio de Janeiro Claúdio Castro para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York em 2024. Investigação aponta que o evento custou US$ 1,013 milhão, valor equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual. No dia seguinte, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Zema também foi questionado sobre uma doação do dono do Banco Master feita ao diretório mineiro do Novo. O candidato afirmou que não recebeu recursos diretamente e disse que, à época da doação, em 2022, não havia elementos que desabonassem o banqueiro. — Eu não recebi nada, não veio nada para mim. Foi para o partido. Em 2022, esse banqueiro bandido ainda parece não ter cometido crime — afirmou. Segundo Zema, a doação foi feita de forma espontânea e não houve contrapartida política. Ele disse ainda que o Novo não aceita recursos destinados a influenciar decisões do partido. — Se doou para o Novo, foi de livre e espontânea vontade. Não aceitamos doação para levar PL adiante, beneficiar alguém. De forma alguma houve contrapartida — disse. O candidato afirmou ser favorável à investigação sobre a origem dos recursos e disse que o partido não pretende ficar com dinheiro proveniente de atividades criminosas. — Não queremos dinheiro de bandido. É o partido que mais combate corrupção no Brasil. Não tem partido tão coerente de combater privilégio, favoritismo, fraude — afirmou. Na mesma linha, Zema defendeu que a Cemig e a Receita Federal sejam investigadas caso haja suspeitas de irregularidades envolvendo a compra de energia de produtores de energia solar. Segundo ele, não deve haver proteção a nenhum grupo. — Pedi para o atual governador que investigue a fundo. A Cemig compra a energia de produtores de energia solar. Que a Receita apure e puna a sonegação. Sou totalmente favorável. Não quero que ninguém fique protegido. Quero investigação a fundo — afirmou.