Dados do Instituto Democracia em Xeque mostram, além disso, o registro de 298 mil menções ao encontro entre os dias 22 e 24 de agosto, com pico de 33 mil nas primeiras horas do dia 24 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Debate da Band com candidatos à Presidência — Foto: Renato Pizzutto/Band Candidatos que participaram do debate entre presidenciáveis promovido pela TV Band no domingo (23) publicaram no Instagram mais de 20 cortes, indicando uma estratégia que, segundo especialistas, busca ampliar a exposição para além do horário de transmissão e ajuda a explicar a mudança de comportamento em relação a esse tipo de evento. Até a noite de segunda-feira (24), o Valor identificou 12 cortes publicados por Renan Santos (Missão), seis por Ronaldo Caiado (PSD) e três por Augusto Cury (Avante), totalizando 21 conteúdos relacionados ao encontro. O levantamento considera apenas o Instagram e não inclui outros conteúdos publicados pelas campanhas antes, durante e depois do debate ou em outras redes sociais. “Os cortes falam mais do que o debate”, avalia o cientista político Leonardo Lamounier, doutor e mestre em Sociologia e Ciência Política pela UFMG e autor do livro “Debates Eleitorais – Prepare-se ou Morra!”. Segundo o especialista, a partir desses conteúdos, o eleitor que não acompanhou o programa completo passa a ter contato com a “narrativa dos candidatos que participaram do debate”. Com isso, a capacidade de uma candidatura de selecionar e publicar rapidamente os trechos que considera favoráveis passa a fazer parte da própria disputa eleitoral. Lamounier acrescenta que os cortes passaram a ter um peso maior também porque parte do público não acompanha os debates integralmente. Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque, a audiência do debate na Band ficou em 2,06 pontos às 20h30. No mesmo horário, a TV Record exibiu uma entrevista gravada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que faltou ao debate, programa que marcou 4,28 pontos de audiência. A ausência de Lula e Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL, foi o que mais mobilizou as redes, refletindo o tom dos próprios candidatos, principalmente nos primeiros momentos do encontro. Segundo o Democracia em Xeque, o tema relacionado aos candidatos que não compareceram reuniu 653 publicações e concentrou cerca de um terço das interações registradas no período monitorado. O instituto registrou 298 mil menções ao encontro entre os dias 22 e 24 de agosto, com pico de 33 mil nas primeiras horas do dia 24. Entre 22 e 26 de agosto, contabilizou 2.067 publicações e 42,1 milhões de interações relacionadas ao debate. Os dados incluem publicações da imprensa, dos campos políticos e de outros perfis, e não apenas conteúdos produzidos pelas candidaturas. Nos bastidores, a campanha de Lula havia demonstrado insatisfação principalmente com o convite da emissora a Renan Santos e Romeu Zema (Novo), argumentando que os dois candidatos não precisariam ter sido convidados porque seus partidos não têm ao menos cinco representantes no Congresso Nacional, conforme prevê a legislação eleitoral. Oficialmente, porém, Lula não apresentou uma justificativa para sua ausência. Já Flávio havia condicionado sua participação nos debates à presença de Lula. Logo após o término do debate, o senador publicou um vídeo de cerca de seis minutos nas redes sociais em que afirmou respeitar os demais candidatos, mas disse que eles não eram seus adversários. Segundo Flávio, seu principal adversário é Lula e, por isso, ele queria debater diretamente com o petista. Romeu Zema também havia confirmado inicialmente presença no debate, mas desistiu no domingo. O candidato alegou que a data havia sido adiada em uma semana com o objetivo de facilitar a participação de Lula e que, diante da ausência do petista e de outros candidatos, a alteração havia perdido seu propósito inicial. A decisão de não ir ao debate Para Lamounier, a decisão de participar ou não de um debate precisa considerar o equilíbrio entre os possíveis ganhos e perdas eleitorais. Para um candidato que está em uma posição confortável, a exposição pode representar um risco maior caso ele cometa um erro ou se transforme no principal alvo dos adversários. “Se o candidato avaliar que ele perde mais indo ao debate do que faltando, ele provavelmente não irá”, afirmou. O cálculo se torna ainda mais delicado com as redes sociais porque um erro cometido durante o confronto pode se espalhar rapidamente e ser mais difícil de reverter. “Esse erro fatal hoje com redes sociais é mais difícil de ser consertado porque a velocidade com que se propaga é muito grande”, diz. Segundo ele, dependendo da situação e do momento da eleição, um episódio ocorrido no debate pode se tornar determinante para uma candidatura. Lamounier ressaltou, entretanto, que a ausência também produz efeitos negativos. O cientista político também considera que a ausência produz um custo eleitoral e avalia que esse efeito se tornou maior com os cortes nas redes. “Um candidato que foge do debate sempre tem que pagar um preço por isso”, afirmou.