Trump usa pressão econômica para tentar reverter o fracasso militar norte-americano, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, fala a jornalista na área externa da Casa Branca sobre plano de isolar o Irã economicamente — Foto: Jim Watson/AFP Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Os Estados Unidos anunciaram uma nova leva de sanções contra o Irã, com foco em quem faz negócios com o país. Não há detalhes sobre como seriam as punições, que poderiam impactar nações que compram e vendem produtos para Teerã. Trata-se de mais uma iniciativa de Donald Trump para tentar reverter o fracasso militar norte-americano na guerra contra o regime iraniano. Ameaça chinesa – A China, principal compradora do petróleo iraniano, ameaçou, nesta terça-feira, retaliar os EUA caso seja alvo de sanções. Esse já é o primeiro efeito da escalada norte-americana. Pequim e Washington vivem uma espécie de pausa em seu conflito comercial, e Trump e Xi Jinping devem se reunir no próximo mês. O anúncio atual pode deteriorar mais uma vez as relações bilaterais. Impacto – Para os chineses, as sanções impactariam diretamente o país e representariam uma afronta à sua soberania. A China, além de retaliar, teria condições de contornar as sanções dos EUA porque não usa o dólar em muitas de suas transações. Outros países, incluindo aliados norte-americanos como a Turquia e o Paquistão, também tendem a ficar irritados com os anúncios do secretário do Tesouro, Scott Bessent. Histórico – Os EUA impõem sanções ao Irã praticamente desde a Revolução de 1979. A estratégia foi usada por diferentes governos. Barack Obama conseguiu impor sanções por meio do Conselho de Segurança da ONU, o que teve muito mais legitimidade, por obter o aval da comunidade internacional, incluindo o apoio de China e Rússia. Aquelas sanções atingiram o objetivo de levar o regime de Teerã à mesa de negociações. Após alguns anos de diálogo, foi firmado o acordo nuclear conhecido como JCPOA. Retirada – Pouco depois de assumir o poder, Trump decidiu retirar os EUA do JCPOA e aplicar uma série de sanções duríssimas ao regime iraniano. Essas sanções incluíam as chamadas “secundárias”, afetando, como agora, nações que fizessem negócios com o Irã. Tais medidas nunca foram suspensas — foram mantidas pela administração de Joe Biden — e estão em vigor há quase uma década. Não está claro como as sanções anunciadas nesta semana seriam diferentes. Manifestações – Há uma série de outras sanções impostas por Washington, mas todas são unilaterais, e não multilaterais como na época de Obama. As sanções de Trump tiveram enorme impacto na economia iraniana. As gigantescas manifestações realizadas em cidades do Irã no começo do ano, inclusive com pedidos pelo fim do regime, eclodiram após grande insatisfação com a crise econômica do país. Objetivo – Aparentemente, o governo Trump avalia que não conseguirá alcançar seus objetivos militarmente. A pressão econômica poderia pressionar o regime iraniano a fazer concessões em negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e seu programa nuclear. Resposta – Não há evidências, no entanto, de que isso irá acontecer diante do empoderamento dos atuais comandantes do regime. É mais provável que Teerã se alie à China e a outros países para tentar contornar as sanções, como já vem fazendo com as ofensivas anteriores. Além disso, historicamente, pressões econômicas unilaterais dos EUA não conseguem forçar regimes a negociações — mais uma vez, as de Obama eram multilaterais. Outros países – Cuba, uma nação muito mais pobre do que o Irã, sofre embargo econômico há seis décadas, é alvo de uma série de sanções e, agora, está sob um bloqueio de petróleo que tem provocado uma catástrofe interna, afetando o fornecimento de energia elétrica e o abastecimento de água. Ainda assim, o regime segue no poder, ao menos por enquanto. Já o Irã é incomparavelmente mais rico, produtor de petróleo, bem armado e comandado por um regime muito mais radical. Para completar, também sobrevive a sanções há décadas, assim como a Coreia do Norte.
Qual o impacto das novas sanções dos EUA ao Irã
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