Palco de shows e montagens icônicas, das Diretas Já! e do fim da Censura, endereço inaugrado em 1966 no Leblon terá leitura de Fernanda Montenegro para celebrar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Em família: Da esquerda: Silvia Haus, Rodrigo Gerheim, Thiago Gerheim, Eduardo Haus e Leonardo Haus, com Gael no colo; abaixo, Leonardo Haus, Gabriel Haus e Arthur Haus — Foto: Ana Branco Há exatos 60 anos, num galpão alugado na Avenida Afrânio de Melo Franco, num Leblon ainda distante do requinte com o qual passaria a ser associado, os produtores Max Haus (1935—2013) e Moysés Ajhaenblat (1935—2024) e os jornalistas Sérgio Cabral (1937—2024) e Moysés Fuks inauguraram o café-teatro Casa Grande (rebatizado como Axia Casa Grande em maio, em um contrato de naming rights de três anos). Nas décadas seguintes, o espaço se consolidou com um dos principais palcos cariocas (e o maior da Zona Sul da cidade), e abrigou diferentes momentos das artes cênicas brasileiras. Nesta terça-feira (25), a data será celebrada com uma leitura, para convddados, de “Nelson Rodrigues por ele mesmo” de Fernanda Montenegro, que voltará em sessões em setembro. A abertura em 25 de agosto de 1966, com nomes como Elis Regina, Nara Leão, Maria Bethânia, Moreira da Silva e Quinteto Villa-Lobos, marcou sua importância para a geração que lançou as bases do que viria ser batizado como MPB — nos anos seguintes, passaram pelo palco artistas diversos como Chico Buarque, Gal Costa, Elba Ramalho, Kleiton e Kledir. As montagens teatrais tiveram seu primeiro grande momento com “Brasileiro, profissão: esperança” (1971), de Paulo Pontes, com Ítalo Rossi e Bethânia no elenco, cujo sucesso ajudou a pagar as dívidas contraídas pelos fundadores para a reforma realizada em 1969. O público testemunhou ali fenômenos como a sucessão de gerações do humor, do monólogo “Um gordoidão no país da inflação” (1983) aos textos de Miguel Falabella — “A partilha” (1990); “Como encher um biquíni selvagem” (1992), estrelado por Cláudia Jimenez; “Louro, alto, solteiro procura” (1994), com ele próprio em cena. Montagens históricas também passaram pela casa, como “O mistério de Irma Vap” (1986), com Marco Nanini e Ney Latorraca, que lá ficou por três dos seus 11 anos em cartaz; a estreia no Rio de “A máquina” (2000), que revelou Lázaro Ramos, Wagner Moura, Vladimir Brichta e Gustavo Falcão; além dos musicais que transformaram a cena nos anos 2000 (veja abaixo peças marcantes que passaram pelo endereço). Fachada do teatro — Foto: Ana Branco Mas, além dos profissionais que passaram pelo palco, nas coxias gerações das famílias dos fundadores assumiram o espaço: atualmente, o Casa Grande é gerido por Leonardo e Silvia Haus (filhos de Max Haus) e Rodrigo Gerheim (filho de Moyses Ajhaenblat). A terceira geração já está no batente com Eduardo e Gabriel Haus (filhos de Leonardo); Bernard e Arthur Haus (filhos de Silvia); e Thiago Gerheim (filho de Rodrigo) — na foto feita pelo GLOBO, a quarta geração é representada por Gael, filho de Eduardo Haus. — Foi um ato de grande coragem inaugurar um teatro naquele período conturbado, início da ditadura, com um Leblon muito diferente do que se tornou. A era de terra batida, sem iluminação pública, onde se chegava de bonde. Temos que lembrar de que o Túnel Rebouças ainda não tinha sido inaugurado — contextualiza Leonardo Haus. Confira momentos históricos do Casa Grande 1 de 7 Escadaria no teatro com os anos, desde 1966 — Foto: Ana Branco 2 de 7 'Brasileiro, profissão: esperança' (1971), de Paulo Pontes, com Ítalo Rossi e Bethânia — Foto: Thereza Eugênia X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 'Irma Vap': Ney Latorraca e Marco Nanini em cena — Foto: Antonio Nery/24-11-1986 4 de 7 Ato público marca o fim da Censura — Foto: Fernando Rodrigues/29-7-1985 X de 7 Publicidade 5 de 7 Incêndio que atingiu o teatro, em 1997 — Foto: Luiz Eduardo Perez/6-4-1997 6 de 7 Gustavo Falcão, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, na estreia de 'A máquina' (2000) no Rio — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 de 7 Era dos musicais: Cena de 'Tim Maia - Vale tudo, o musical' — Foto: Leonardo Aversa/29-7-2011 Teatro completa 60 anos Para além de sua importância cultural, o Casa Grande também foi um espaço de resistência política, onde foram realizados encontros como os Ciclos de Debate, possibilitando a troca de ideias e informações em meio à repressão militar. Na Abertura, o teatro abrigou o lançamento da campanha das Diretas Já!, em 1984, e foi o palco da cerimônia de assinatura do decreto que pôs fim à Censura, no ano seguinte. O néon “Território da democracia” no lobby reforça essa parte da história. — Os artistas e intelectuais criaram o Grupo Casa Grande, que organizou debates e cursos, mas também era uma forma alternativa de se reunir naquele período. Depois, quando foram abertos os arquivos da ditadura, descobrimos que havia agentes mapeando essa movimentação — conta Silvia Haus. — A gente, que cresceu e trabalha aqui dentro, muitas vezes perde a dimensão dessa importância. Vira uma coisa cotidiana. Por isso é tão emocionante quando artistas ou o público nos falam o quanto o teatro fez parte de suas vidas. Néon no lobby — Foto: Ana Branco A terceira geração se prepara para enfrentar desafios como os vividos pelos pais e avós. Entre os momentos de tensão, o mais grave foi o incêndio que destruiu o espaço em 1997 — Leonardo se emociona ao lembrar o pai lhe dizendo, logo depois da tragédia: “A gente vai reconstruir.”. Um orgulho que Thiago Gerheim, formado em Gerenciamento de Projetos e Negócios Internacionais pela Universidade Internacional da Flórida, passa à frente: — Meu avô sempre quis que eu estivesse aqui, fazendo parte do teatro desde cedo, mas fiquei muito tempo fora do país. Voltei há dois anos e desde então estou ajudando a escrever esses próximos capítulos, preservando e levando à frente esse legado.
Espaço histórico da cultura carioca e de resistência à ditadura, Teatro Axia Casa Grande completa 60 anos nesta terça-feira (25)
Palco de shows e montagens icônicas, das Diretas Já! e do fim da Censura, endereço inaugrado em 1966 no Leblon terá leitura de Fernanda Montenegro para celebrar






