studo publicado na Nature Communications analisa a estrutura interna responsável pelo formato incomum e pode ajudar a inspirar novos materiais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Narvais com suas presas à mostra nas águas perto de Uummannaq, no oeste da Groenlândia — Foto: Divulgação/Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia Durante séculos, uma presa de narval podia ser vendida como um verdadeiro “chifre de unicórnio”. Agora, a ciência encontrou uma explicação menos mágica, e bastante engenhosa, para a estrutura que alimentou essas lendas. Um estudo publicado na terça-feira (18) na revista Nature Communications mostra como a organização interna da presa pode ajudá-la a crescer reta e suportar forças de torção e flexão. A descoberta foi feita por pesquisadores que utilizaram técnicas avançadas de imagens tridimensionais por raios X para analisar a estrutura do dente, que pode chegar a três metros de comprimento. A parte externa, formada por cemento, apresenta uma espiral voltada para a esquerda, enquanto a dentina, no interior, forma outra espiral, em sentido contrário. Duas espirais que se equilibram Segundo Henrik Birkedal, químico de materiais da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e coautor do estudo, a configuração pode funcionar como um mecanismo de equilíbrio. — Propomos que essa estrutura ajude a presa a crescer reta, ao contrário de outras presas, como as de elefantes ou morsas, que são curvas — afirmou o pesquisador. A chamada dupla espiral cria forças opostas no encontro entre as camadas interna e externa. Com isso, a presa apresenta maior resistência mecânica do que teria com uma única espiral ou mesmo como uma haste completamente reta. A estrutura é formada por colágeno mineralizado, composto por fibras microscópicas reforçadas por nanopartículas de um mineral à base de cálcio. Para Birkedal, esse arranjo pode até inspirar a criação de novos materiais. — Achamos que isso pode vir a servir como fonte de inspiração para o desenvolvimento de materiais — disse. De objeto mágico a peça de prestígio A função exata da presa para o narval ainda não é totalmente conhecida. Ela aparece principalmente nos machos e pode estar relacionada à hierarquia social e a disputas entre indivíduos. Também já foi associada a comportamentos de interação e a uma possível função sensorial. O narval vive nas águas geladas do Ártico, principalmente próximas ao Canadá, Groenlândia, Noruega e Rússia. O animal pode atingir cinco metros de comprimento e se alimenta de peixes, lulas e camarões. Sua coloração também muda ao longo da vida: vai do azul-acinzentado nos filhotes ao quase branco na velhice. A aparência incomum da presa ajudou a alimentar histórias durante séculos. Segundo Birkedal, representações científicas do animal começaram a surgir em meados do século XVI, quando o narval chegou a ser retratado como uma criatura semelhante a um peixe com um chifre. No século XVII, o naturalista dinamarquês Ole Worm relacionou as presas de narval aos supostos chifres de unicórnio. O material chegou a ser associado a propriedades mágicas e usado como símbolo de prestígio. A cadeira utilizada nas coroações dos monarcas dinamarqueses entre 1671 e 1840, hoje exposta no Castelo de Rosenborg, em Copenhague, foi produzida com presas de narval. — As presas conferiam grande prestígio — afirmou Birkedal.
‘Chifre de unicórnio’: cientistas descobrem por que presa de narval é reta após séculos de mistério
studo publicado na Nature Communications analisa a estrutura interna responsável pelo formato incomum e pode ajudar a inspirar novos materiais











