Medida ajuda a eliminar grande obstáculo a investimentos para Damasco 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, durante uma reunião bilateral paralela à cúpula de líderes da Otan no Complexo Presidencial de Bestepe, em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst Os Estados Unidos retiraram a Síria de sua lista de países patrocinadores do terrorismo nesta segunda-feira, eliminando o que Damasco considera o último grande obstáculo aos investimentos no país, em um momento em que Washington aprofunda os laços com o novo governo sírio. A retirada, publicada no site do Departamento do Tesouro dos EUA, entrou em vigor após um período de 45 dias de análise pelo Congresso, iniciado quando Trump notificou formalmente os parlamentares, em 8 de julho, de sua intenção de revogar a designação. “Todas essas medidas foram tomadas em reconhecimento às ações positivas adotadas e aos compromissos adicionais assumidos pelo governo sírio sob o presidente Ahmed al-Sharaa para afastar completamente a Síria de atos de terrorismo internacional”, afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em comunicado. O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shibani, disse à Reuters no sábado que o governo esperava que a retirada do que chamou de “último obstáculo” ajudasse a reconectar a Síria ao sistema financeiro e econômico global e a impulsionar os investimentos. “Não há mais nenhum obstáculo para investir, fazer negócios e reconstruir a vida econômica na Síria”, afirmou. A Síria estava na lista desde 1979, quando Washington acusou o governo do ex-presidente Hafez al-Assad de apoiar grupos militantes. A designação permaneceu durante todo o governo de seu filho, Bashar al-Assad, que foi derrubado em dezembro de 2024 por rebeldes liderados pelo atual presidente, Ahmed al-Sharaa. O anúncio desta segunda-feira também retirou a designação da Frente al-Nusra como organização terrorista global especialmente designada, deixando Cuba, Irã e Coreia do Norte como os três países classificados por Washington como patrocinadores do terrorismo. A designação implica restrições à assistência externa dos EUA, às exportações e vendas de produtos de defesa, a determinados itens de uso duplo e a transações financeiras. Ela continuava sendo um importante fator de desestímulo para bancos e investidores mesmo depois de Washington desmantelar seu programa mais amplo de sanções contra a Síria. O governo Trump encerrou as sanções abrangentes dos EUA contra a Síria em julho de 2025, mas manteve sanções direcionadas contra Assad e seus aliados, autores de violações de direitos humanos, traficantes de drogas, afiliados do Estado Islâmico e da Al Qaeda e grupos ligados ao Irã. Desde então, o Departamento do Tesouro dos EUA afirmou que instituições financeiras americanas podem prestar serviços à Síria, processar pagamentos envolvendo bancos sírios e estabelecer relações bancárias de correspondência com essas instituições, desde que partes sujeitas a sanções não estejam envolvidas. A designação como país patrocinador do terrorismo, porém, continuava sendo uma fonte de riscos jurídicos e de conformidade para empresas que avaliavam entrar na Síria, cujo governo busca bilhões de dólares em investimentos para reconstruir o país após quase 14 anos de guerra. Os sinais de interesse já vinham aumentando antes da retirada da lista. O Ministério das Finanças da Síria informou neste mês que o ministro Mohammad Yisr Barnieh manteve conversas com executivos do Bank of America sobre uma possível cooperação e a reintegração da Síria ao sistema financeiro internacional. Segundo a pasta, representantes do banco manifestaram disposição para visitar a Síria e dar continuidade às conversas. A Mastercard avançou ainda mais e anunciou em maio que trabalhava com o QNB Group e o banco central da Síria na preparação da infraestrutura necessária para pagamentos internacionais com cartões no país. A empresa se descreveu como uma das primeiras investidoras na Síria e afirmou que pretende ajudar a conectar consumidores e empresas sírios às redes globais de pagamentos. O presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, é recebido pelo presidente do Chipre, Nikos Christodoulides (não fotografado), no dia de uma cúpula de líderes da União Europeia e de países parceiros da região, em Nicósia, Chipre, em 24 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herman/Pool/Foto de arquivo Cooperação contínua Trump notificou o Congresso de sua decisão depois de se reunir com Sharaa em Ancara, em julho. Em uma carta ao presidente sírio vista pela Reuters, Trump afirmou ter prometido “remover todas as barreiras” que impediam a reconstrução da Síria. A retirada da lista também ocorreu após meses de negociações entre Damasco e Washington sobre as políticas econômica e externa da Síria. A Reuters informou neste mês que Damasco concordou em reduzir drasticamente as importações de petróleo russo durante as discussões com Washington sobre a retirada da designação de patrocinador do terrorismo, de acordo com três fontes familiarizadas com as negociações. Trump tem se aproximado cada vez mais de Sharaa, ex-comandante da Frente al-Nusra, ligada à Al Qaeda, que rompeu os laços com a rede jihadista internacional em 2016 e liderou a coalizão rebelde que derrubou Assad. Washington elogiou a cooperação do governo de Sharaa no combate ao Estado Islâmico e afirmou que a flexibilização das restrições busca dar à Síria a oportunidade de se estabilizar, atrair investimentos e se reconstruir. O presidente Donald Trump aperta a mão do presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa. — Foto: Bandar Aljaloud/Saudi Royal Palace via AP
EUA retiram Síria de lista de países patrocinadores do terrorismo
Medida ajuda a eliminar grande obstáculo a investimentos para Damasco














