Quando chega a aposentadoria, há uma contabilidade afetiva entre carreira e filhos diferente para os gêneros. Muitas mulheres, ao desfrutarem do merecido descanso, têm que fazer o luto do pouco tempo de qualidade que dedicaram à prole. Imersas na lida diária, não puderam se dar ao luxo de desfrutar da companhia das pessoas a quem criavam.
É raro observar o mesmo entre os homens, que costumam encerrar a carreira com a sensação de dever cumprido. A queixa mais comum é da perda de status profissional e da falta de atenção dos filhos para com eles, agora que a aposentadoria os fez mais disponíveis.
Mulheres sempre trabalharam dentro e fora de casa, bancando ou completando o orçamento doméstico. O que mudou a partir dos anos 1960 foi assumirem a profissão não só para equilibrar as contas do lar mas também como direito.
O fato de a mulher receber um salário era a prova de que seu homem não era suficientemente provedor. Seja porque estivesse desempregado, porque não ganhasse o bastante ou simplesmente porque a tivesse abandonado, o trabalho feminino remunerado escancarava a falta masculina.
Nos lares nos quais meninas vestem rosa e meninos vestem azul, a dependência financeira da mulher ainda é usada como forma de controle. Além disso, o trabalho doméstico faz diferença na economia familiar. Sem essa mão de obra gratuita, as tarefas de cozinhar, lavar, limpar, transportar, gerir e cuidar dos filhos teriam que ser assumidas pelo homem ou por terceiros remunerados.






