Condenado até por aliados, plano israelense de expansão pode dividir Cisjordânia, analisa Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Forças israelenses fecham o posto de controle de Carmelo, perto da cidade de Taybeh, a leste de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 23 de agosto de 2026, após um palestino ter sido ferido por disparos israelenses — Foto: Zain Jaafar/AFP Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Cerca de 30 países, incluindo aliados de Israel, condenaram o anúncio do governo Benjamin Netanyahu de expansão dos assentamentos na Cisjordânia. A ação israelense, que intensifica o isolamento internacional do país, inviabiliza ainda mais a possibilidade de o território integrar um futuro Estado palestino independente. Divisão geográfica – Pela decisão de Israel, seriam construídas cerca de 1.200 unidades habitacionais no bloco E1, próximo aos assentamentos de Maale Adumim. O problema é que a Cisjordânia ficaria, na prática, dividida geograficamente entre norte e sul. Isso tornaria ainda mais difícil a possibilidade de haver um território contíguo em uma futura Palestina. Também deixaria Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como capital de seu Estado, ainda mais isolada do restante da Cisjordânia. Condenação de aliados – Ed Miliband, secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, descreveu a decisão de Israel de construir o bloco de assentamentos E1 como “inaceitável e destrutiva”. Como o britânico, uma série de outros líderes de países europeus aliados dos israelenses condenaram, com duras palavras, a atitude do governo Netanyahu, que repudiou as críticas. Colonização – Todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais pela comunidade internacional. A política de colonização começou depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel conquistou o território e Jerusalém Oriental, antes controlados pela Jordânia. Ao todo, cerca de três milhões de palestinos vivem nessas mesmas áreas. Diferenças – Jerusalém Oriental foi anexada por Israel no passado e os habitantes palestinos receberam o direito à cidadania. Já a Cisjordânia, oficialmente, segue ocupada, mas não anexada. Os milhões de palestinos que residem no território não possuem direito à cidadania e tampouco a um Estado independente — os colonos são cidadãos israelenses com os mesmos direitos de quem vive em áreas de Israel reconhecidas internacionalmente, como Tel Aviv ou Haifa. Anexação e limpeza étnica – Na atual administração de Netanyahu, os colonos foram empoderados. Alguns de seus ministros, como os extremistas Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, defendem abertamente a anexação da Cisjordânia e a expulsão dos palestinos, o que seria configurado como uma limpeza étnica. Ambos também são colonos. O primeiro-ministro, por sua vez, evita falar em anexação, mas se posiciona contra a criação de um Estado palestino e a concessão de cidadania aos palestinos que vivem sob ocupação. Posição internacional – O E1 pode consolidar justamente esse objetivo de impedir o estabelecimento de um Estado palestino, que está cada vez mais distante. Uma Palestina independente conta com o apoio da quase totalidade das nações do planeta, e mais de 80% dos países da ONU, incluindo o Brasil, já reconhecem o Estado palestino, ainda que este não tenha um território por estar sob ocupação militar e colonização civil israelense. Objetivo e eleição – Com o E1, Netanyahu busca agradar a extrema direita e os colonos israelenses, que são fundamentais em sua coalizão de governo. O premier precisa deles para tentar vencer as eleições parlamentares em outubro. Sem o voto e o apoio dos radicais, o primeiro-ministro não terá como conseguir maioria no Knesset, como é conhecido o Parlamento israelense.
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