O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, conhecido por ser linha-dura, anunciou na quarta-feira (3) uma grande expansão de três assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada. O plano prevê a construção de mais de 2 mil moradias em uma área que os palestinos esperam integrar a um futuro Estado independente. A maior parte da comunidade internacional considera os assentamentos israelenses na região ilegais sob o direito internacional e um dos principais obstáculos para uma solução de dois Estados que garanta paz duradoura. Smotrich, que exerce autoridade sobre partes da administração civil israelense na Cisjordânia, afirmou que um comitê de planejamento aprovou a construção de 2.162 novas moradias para judeus. O plano inclui 1.006 unidades em um novo assentamento próximo a Jerusalém, 922 perto da cidade palestina de Nablus e 234 nas proximidades de Hebron. "Estamos continuando a construir a Terra de Israel na prática", disse Smotrich, um ultranacionalista sancionado pelo Reino Unido, França e outros países, que o acusam de incitar violência contra palestinos. Smotrich rejeitou as sanções, afirmando que elas não mudarão a política israelense. Segundo ele, as novas moradias irão "fortalecer nossa presença na terra, reforçar a segurança de Israel e estabelecer fatos consumados no terreno que impeçam a criação de um Estado árabe terrorista no coração do país". Ele não especificou quando as obras começarão. Desde que assumiu o cargo de ministro, há três anos, Smotrich tem buscado ampliar o controle e a presença de Israel na Cisjordânia, ao mesmo tempo em que faz campanha contra a criação de um Estado palestino. O governo de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu supervisionou uma expansão significativa dos assentamentos judaicos na Cisjordânia e a criação de novos assentamentos. Nazem Saleh Shooman, presidente palestino do conselho da aldeia, está ao lado de uma área queimada após um ataque de colonos israelenses na aldeia de Khirbet Abu Falah, na Cisjordânia, na terça-feira, 2 de junho de 2026 — Foto: AP/Leo Correa Aspirações de independência Os palestinos querem que a Cisjordânia faça parte de um futuro Estado independente que inclua Jerusalém Oriental e Gaza. Cerca de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia ao lado de aproximadamente 3 milhões de palestinos. O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido muito menos crítico em relação à rápida expansão dos assentamentos israelenses. No entanto, Trump afirmou em setembro passado que não permitiria que Israel anexasse a Cisjordânia, irritando alguns parlamentares israelenses da direita. Os Emirados Árabes Unidos, um dos poucos países árabes com relações diplomáticas oficiais com Israel, também advertiram publicamente o governo israelense contra uma anexação. Condenando o anúncio desta quarta-feira, o gabinete do presidente palestino Mahmoud Abbas afirmou que as políticas "provocativas" de Israel estão empurrando a região para novos ciclos de violência e pediu aos Estados Unidos que ponham fim à "loucura" israelense. Em 19 de maio, Smotrich afirmou que travaria uma "guerra" contra a Autoridade Palestina, que exerce controle civil limitado na Cisjordânia, após dizer que foi informado de que o procurador do Tribunal Penal Internacional teria solicitado, de forma confidencial, um mandado de prisão contra ele. O tribunal não confirmou essa informação.