Smac afirma que não se trata de esgoto, mas de água com restos de diferentes resíduos; descarte irregular de móveis e outros tipos de lixo também poluem corpo d'água 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Galeria pluvial despeja líquido suspeito na Lagoa da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio — Foto: Foto do leitor Nos últimos meses, o despejo de um líquido escuro chamou a atenção de moradores do entorno da Lagoa da Tijuca. Em relatos enviados ao GLOBO-Barra, um deles disse que suspeitava de que esgoto estivesse jorrando de uma galeria pluvial, na altura de centros comerciais como o BarraShopping e residenciais como o Península. — Tenho reparado nisso há uns três meses — diz um leitor que não quis se identificar. — Com certeza não é água limpa. E se sai água da galeria sem estar chovendo, algo está errado. Procurada, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) enviou a Patrulha Ambiental ao local na última terça-feira. Segundo o órgão, a equipe constatou o lançamento de água serva na lagoa, ou seja, resíduos líquidos com aspecto de água que perdeu sua pureza inicial e contém restos de sabão, gordura ou sujeira. A origem, porém, não foi identificada. De acordo com a pasta, uma Estação de Tratamento de Efluentes particular próximo ao ponto passará por vistoria para ver se há relação com o despejo. Já a Iguá Rio, concessionária responsável pelo saneamento na região, informou que também vistoriou o local e constatou que não se trata de qualquer problema em suas redes. Rastro do líquido suspeito despejado na Lagoa da Tijuca — Foto: Foto do leitor Resíduos sólidos A Iguá vem fazendo ações de limpeza das lagoas da região, como prevê seu contrato de concessão. Consultor da empresa, o biólogo Mario Moscatelli diz que o despejo do líquido desconhecido vem se somar a outro problema já antigo na Lagoa da Tijuca, e que reduz a eficácia do trabalho que vem sendo feito pela empresa: o descarte de todo tipo de lixo, incluindo sofás, pneus e armários, no espelho d’água, principalmente na altura das comunidades da Muzema e de Rio das Pedras. Em 17 de julho, Moscatelli chegou a postar em suas redes sociais um vídeo em que registrava 18 sofás boiando na lagoa em 58 segundos de navegação nesta área. — Dragagens estão sendo feitas, mas o descarte de resíduos continua. É muito lixo, e as ecobarreiras existentes não estão dando conta do recado. Temos que mudar nossa cultura reativa e adotar uma postura preventiva. O combate à sujeira e à poluição só vai dar certo se a sociedade, o poder público e a iniciativa privada trabalharem juntos — diz. Resíduos descartados na Lagoa da Tijuca 1 de 5 Carcaça de um sofá ao lado de um pneu na Lagoa da Tijuca — Foto: Mário Moscatelli 2 de 5 Aves interagem próximo a resíduos descartados irregularmente na Lagoa da Tijuca — Foto: Mario Moscatelli X de 5 Publicidade 5 fotos 3 de 5 Galeria de água pluvial vem recebendo água serva, contendo restos de sabão, gordura ou sujeira — Foto do leitor 4 de 5 Além de sofás e pneus, outras estruturas são encontradas no corpo d'água, sobretudo perto de Muzema e Rio das Pedras — Foto: Mário Moscatelli X de 5 Publicidade 5 de 5 As ecobarreiras não dão conta da quantidade de descarte irregular, e lixo acumulado dá origem a ilhas de sujeira — Foto: Mario Moscatelli Registros de sofás, pneus e outros objetos de grande porte no espelho d'água A preocupação, segundo ele, aumenta diante da possibilidade de eventos de chuva mais intensos, que podem carregar ainda mais material para dentro do sistema lagunar e agravar o assoreamento em áreas que ainda não passaram por dragagem: — Estamos nos aproximando de um Super El Niño, e o Rio pode ter chuvas severas. É preciso trabalhar na retirada desses resíduos imediatamente, estamos diante de tragédia anunciada. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que mantém cinco ecobarreiras no sistema lagunar da região, onde já foram retidas 4.514 toneladas de resíduos flutuantes só em 2026. Mas a gestão dos resíduos sólidos, informa, é atribuição do município. A Comlurb, por sua vez, diz que não realiza a remoção de resíduos no espelho d’água da Lagoa da Tijuca, mas mantém serviços de coleta e ações para evitar o descarte irregular de lixo em rios, lagoas e canais. Desde 2022, diz, foram instalados 12 ecopontos na região citada, sendo seis voltados para Rio das Pedras e Muzema.