Novidades de nada adiantarão se não houver rigor na implementação e inspeções policiais mais frequentes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação da Lei Seca no Rio de Janeiro — Foto: Guito Moreto/Agência O Globo Faz bem o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em atualizar a Lei Seca diante da experiência acumulada ao longo dos últimos 18 anos e de novas demandas para aumentar a segurança nas vias. Entre as novidades, estão o uso de equipamentos para detectar substâncias psicoativas além do álcool (“drogômetros”), um pré-teste que não terá valor para autuação, mas indicará a necessidade do procedimento tradicional do bafômetro, e um reteste em caso de dúvidas. As mudanças prometem conferir mais precisão e abrangência às inspeções. Tanto quanto o álcool, o uso de drogas como anfetaminas, cocaína, ecstasy, heroína, maconha ou fentanil traz risco de acidentes graves nas estradas. A legislação determina testes toxicológicos periódicos para determinadas categorias — dos 9 milhões realizados entre 2016 e 2025, 380 mil foram positivos. As inspeções aleatórias podem ser um instrumento eficaz não só para flagrar situações irregulares, mas também para desestimular o uso de entorpecentes ao volante. Já existem dispositivos para isso, e eles são comuns noutros países, mas sua implementação no Brasil dependia de regulamentação. Criada em 2008, a Lei Seca se mostrou fundamental para coibir a perigosa mistura de álcool e direção. Trata-se de ideia relativamente simples. Motoristas escolhidos aleatoriamente em pontos arbitrários são parados nas ruas e submetidos ao teste do bafômetro. Constatada a embriaguez, o condutor recebe uma multa pesada, e sua Carteira Nacional de Habilitação é suspensa. No Rio, a implantação da Lei Seca contribuiu para frear sucessivas mortes de jovens que se acidentavam gravemente nas noites e madrugadas dos fins de semana. Apenas boas ideias não resolvem o problema se não forem adotadas de forma sistemática. O flagelo da imprudência no trânsito persiste, a despeito da Lei Seca e de mudanças na legislação para torná-la mais rigorosa. Motoristas continuam bebendo antes de dirigir, pondo em risco a própria vida e a de terceiros. No fim do mês passado, um gari de 19 anos que fazia seu trabalho dignamente na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, foi atropelado e morto por um motorista embriagado que, segundo policiais, mal conseguia ficar em pé. A vítima deixou mulher grávida e uma filha pequena. O condutor foi preso em flagrante. O mais importante hoje é aplicar a lei. Quando ela surgiu, houve efeito benéfico, pois os motoristas temiam perder a carteira numa blitz. A repetição de crimes envolvendo condutores alcoolizados sugere, porém, que houve afrouxamento nas inspeções. Se as chances de alguém ser flagrado são remotas, os irresponsáveis preferem arriscar. Por isso é essencial manter operações regulares. O aperfeiçoamento da legislação é sempre louvável, mas de pouco adiantará se as atrocidades no trânsito não forem reprimidas na prática.