Ponto de atenção é o inverno, longo e escuro, que no norte chega a -30°C e pode passar semanas sem luz solar. Guia do GLOBO traz informações sobre 36 países para quem quer morar fora 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viver pelo Mundo: Finlândia — Foto: Arte / O Globo Esta reportagem faz parte do Guia Viver pelo Mundo, que reúne informações sobre 36 países como salários, vistos, segurança e custo de vida para quem quer morar fora. Acesse a ferramenta. O país mais feliz do mundo há quase uma década, um dos mais seguros do planeta e um sistema público de bem-estar que cobre da saúde à educação. A Finlândia reúne atrativos que a tornam um destino cada vez mais buscado por profissionais qualificados, sobretudo em tecnologia. O principal ponto de atenção é o inverno, longo e escuro, que no norte chega a -30°C e pode passar semanas sem luz solar. A Finlândia lidera o World Happiness Report, ranking de felicidade da ONU, pelo nono ano consecutivo, e ocupa a 9ª posição no Global Peace Index 2026, entre os países mais pacíficos do mundo. Sua qualidade de vida está no topo, com IDH de 0,94. O sistema de saúde é público e universal, financiado por impostos. Ao obter a autorização de residência e o número de identidade finlandês, o imigrante passa a ser coberto pelo seguro social. A alta confiança nas instituições e a segurança pública ajudam a explicar a posição de liderança em bem-estar. Viver pelo mundo: Finlândia Salários altos acompanham custo de vida A Finlândia não possui um salário mínimo nacional fixado por lei. O piso salarial é definido por acordos coletivos de trabalho (Työehtosopimus, ou TES), negociados entre sindicatos e associações de empregadores para cada setor. Embora não haja um valor único, as tabelas setoriais costumam seguir algumas faixas para iniciantes. Na limpeza e nos serviços gerais, a remuneração fica entre € 10,50 e € 12,50 por hora. Na hospitalidade, como garçons e cozinheiros, o salário base mensal bruto varia de € 1.550 a € 2.000. Já na construção civil, os pisos iniciais giram em torno de € 11 a € 13 por hora, conforme a especialidade. Já o salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de US$ 53 mil, e o mensal é de US$ 4.400.Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos. Quais países oferecem mais incentivos para atrair imigrantes? Spoiler: os europeus não lideram O custo de vida é considerado alto para a média europeia, mas equilibrado por salários competitivos e serviços públicos eficientes. O aluguel é a maior despesa mensal. Os valores variam entre a capital, Helsinque, e cidades menores. Em Helsinque, o valor varia entre € 1.049 e € 1.300 (entre R$ 6.300 e R$ 8 mil) para um apartamento de um quarto. Em outras cidades (Tampere, Turku, Oulu), fica entre € 600 e € 900 (R$ 3.600 e R$ 5.400) para um apartamento similar. Os estudantes, por sua vez, têm acesso a moradias (fundações como a HOAS) mais baratas, que custam entre € 300 e € 500 (R$ 1.800 e R$ 3 mil) por mês, geralmente incluindo internet, água e aquecimento. Como funciona o sistema de saúde para imigrantes? Compare 36 países antes de escolher seu destino No mercado, uma pessoa solteira ou estudante gasta entre € 150 e € 250 (entre R$ 900 e R$ 1.500) por mês. Um prato principal em um restaurante normal custa de € 20 a € 30, enquanto um jantar para dois (com três pratos) fica na faixa de € 80. Uma opção popular e mais econômica para quem trabalha é o almoço estilo buffet no centro, que sai entre € 12 e € 14. País busca imigração qualificada A Finlândia busca ativamente talentos estrangeiros para suprir a escassez de mão de obra em setores estratégicos, e criou rotas rápidas para isso. A principal via para profissionais qualificados é a Autorização de Trabalho para Especialistas, voltada a áreas como TI e engenharia, que exige salário mínimo de € 3.639 brutos por mês e pode ser decidida em apenas duas semanas pelo processo digital Fast Track. Para outras profissões, o empregador precisa provar que não encontrou um candidato na União Europeia antes de contratar um estrangeiro. Há caminhos para outros perfis. Empreendedores contam com uma rota específica para startups, que começa com uma declaração de elegibilidade da agência Business Finland e concede residência inicial de dois anos. Os estudantes podem trabalhar cerca de 30 horas semanais durante o curso e, ao se formar, têm direito a uma permissão de dois anos para buscar emprego ou abrir um negócio, sem voltar ao Brasil. A residência permanente vem, em geral, após seis anos de residência legal, prazo que cai para quatro para quem tem renda anual acima de € 40 mil, mestrado reconhecido no país ou domínio avançado de finlandês ou sueco. Apuração de Leonardo Marchetti. Colaboraram Júlia Vidotti, aluna do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.