Maria Fernanda Cândido precisa do teatro mais do que os palcos precisam dela. É o que diz após ser coroada com o Kikito de Cristal no Festival de Gramado, um dos eventos mais importantes para o cinema do país. A láurea vem depois da atriz aumentar o seu prestígio internacional com "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, e encarnar Clarice Lispector em Paris.
Ela dispensa pausas. Enquanto grava o próximo filme de Luiz Fernando Carvalho, "Objetos Perdidos", deve subir novamente aos palcos brasileiros em outubro, para encenar a última peça do renomado dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. "Quando Despertamos Entre os Mortos".
Apesar do reconhecimento no cinema, Cândido não consegue ficar longe dos palcos. "O teatro me alimenta. Você recebe mais do que dá do público. O cinema tem outra radicalidade, trata-se de segundos que vão ficar registrados para a eternidade. Já o teatro é efêmero. Se repete todas as noites e nunca será igual", diz ela, em entrevista, em um hotel de ares campestres. Com a habitual elegância altiva e um vestido preto de saia rodada, a atriz se preparava para prensar o Kikito de Cristal dentro de algumas horas.
"É uma sina. Se você faz muito bem a peça hoje, pensa ‘meu deus, vou precisar repetir amanhã. E amanhã, o que eu vou fazer?’. E quando você faz a peça mal, por outro lado, sabe que vai ter o amanhã", reflete. Quando questionada se, de certa forma, atuar ajuda a lidar com as próprias angústias e emoções, ela não hesita. "É um salto no precipício."











