A criação de um bosque urbano nos anos 1990 premiou moradores do bairro residencial City Boaçava. Terrenos alagadiços deram lugar ao parque Villa-Lobos, uma das principais áreas de lazer da zona oeste da cidade de São Paulo.
Morador há 25 anos, o engenheiro Ricardo Bressiani, 67, viu a transformação diante da sua janela. Mas, recentemente, a tranquilidade de uma vizinhança de área verde deu lugar ao som potente dos concertos musicais, aos megafones de animadores de corrida de rua e às marteladas para montagens de palcos no local, intensamente explorado para a realização de eventos.
Em alta em toda a capital paulista, as queixas por ruído enviadas ao Psiu (Programa Silêncio Urbano) cresceram mais nos distritos que possuem as principais arenas e parques onde ocorrem shows ao ar livre.
Embora seja impossível atribuir o fenômeno a um único fator, especialistas e representantes de associações de moradores afirmam que a atual dinâmica de utilização desses espaços é hoje um dos principais motivos de perturbação do sossego.
Na comparação do biênio 2018-2019 (pré-pandemia) com o de 2024-2025 (pós-pandemia), houve aumento de queixas ao Psiu em nove distritos paulistanos que possuem parques ou arenas com grande frequência de locações para eventos. O volume médio desse tipo de ocorrência nesses locais subiu 94%, passando de 3.951 para 7.653.






