A Paulista Aberta é um marco na cidade, desde o início, em 2015. As pessoas adoram ir passear na avenida aos domingos, ver gente, tomar um sorvete, conversar e sentir a vibração da cidade. O uso do espaço público, porém, nunca vem sem conflitos.

No caso da Paulista, o barulho é um deles. No início eram os músicos e artistas de rua, hoje há fanfarras, baterias, aulas de dança, shows e até DJs de rádios que anunciam promoções num volume altíssimo. Em decibéis, o barulho aos domingos chega a ser maior do que o trânsito durante a semana, segundo Relatório Técnico de Monitoramento Acústico, feito pela empresa OTOH em 2026.

Na semana passada, a prefeitura divulgou uma portaria que pretendia resolver o problema, proibindo geradores, baterias externas e ligações elétricas feitas a imóveis para alimentar equipamentos de som.

O resultado, porém, não agradou a ninguém. Apesar das audiências de conciliação, músicos dizem não ter sido consultados. Moradores e comerciantes dizem que a proibição de equipamentos não faz sentido sem estabelecer limites claros de volume. Muitas caixas de som já têm baterias internas e escapariam da proibição, assim como percussão e sopros que também emitem ruido muito acima do recomendado. Sem métricas e sem método de fiscalização, a portaria é um convite para que tudo continue igual no próximo domingo.