Para alguns indivíduos, a abstinência de álcool pode, posteriormente, aumentar o consumo compulsivo da substância. Nossa equipe de pesquisa descobriu que, em camundongos abstêmios, esse desejo de beber é precedido por alterações na atividade de uma determinada região do cérebro, apontando para possíveis novas oportunidades para identificar e ajudar as pessoas mais vulneráveis à recaída.

Embora a abstinência alcoólica esteja associada a melhores resultados de saúde, pesquisadores especializados em dependência teorizaram que as alterações cerebrais que ocorrem durante a abstinência podem aumentar o risco de recaída de uma pessoa.

Para explorar essa hipótese, estudamos como camundongos se comportavam após lhes termos dado acesso voluntário ao álcool por um longo período, seguido por um período de abstinência forçada.

Descobrimos que um subgrupo dos camundongos desenvolveu ingestão de álcool resistente à aversão –ou seja, eles passaram a beber álcool mesmo com a quinina que adicionamos para torná-lo cada vez mais amargo. Além disso, em comparação com aqueles que não passaram pela abstinência forçada, esses camundongos consumiram quantidades ainda maiores do álcool extremamente amargo. Esses resultados sugerem que há possíveis desafios físicos associados à abstinência que contribuem para recaídas no transtorno por uso de álcool.