Filhos do ex-presidente voltam a ter acesso permanente ao pai, enquanto candidato ainda terá cerca de 60 dias sem poder encontrar o pai 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Michelle discursa em ato pró-anistia do 8 de Janeiro, junto a Bolsonaro (a partir da esquerda), Carlos, Flávio e Jair Renan — Foto: Miguel Schincariol/AFP/06-04-2025 A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de liberar a retomada das visitas permanentes de Carlos Bolsonaro e Jair Renan ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi recebida com entusiasmo por aliados de Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é que a mudança facilita a interlocução familiar com o ex-mandatário durante os cerca de 60 dias em que o candidato à Presidência ainda estará impedido de encontrá-lo pessoalmente. Interlocutores de Flávio comemoraram a decisão assim que ela se tornou pública nesta sexta-feira. Embora a restrição ao candidato permaneça inalterada, aliados avaliam que o retorno de Carlos e Jair Renan às visitas cria mais caminhos para o contato com Bolsonaro. Até agora, diante das limitações impostas aos filhos, Michelle Bolsonaro e advogados eram as únicas pessoa que podia dar notícias sobre o ex-presidente aos filhos. A ex-primeira-dama mora com Bolsonaro e permaneceu ao lado do marido durante o período de restrições. Pessoas próximas a Flávio avaliam que a autorização dada aos dois irmãos reduz a dependência de Michelle como principal ponte familiar com o ex-presidente, sobretudo em um período em que o senador está impedido de encontrá-lo. Flávio ainda terá cerca de dois meses pela frente sem poder visitar o pai. Em julho, Moraes suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador depois que ele divulgou nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro com uma mensagem de apoio à sua candidatura. A restrição atravessa todo o primeiro turno e só termina depois da votação de 4 de outubro. A suspensão alterou uma rotina de encontros frequentes entre pai e filho. Levantamento feito pelo próprio Moraes ao analisar o caso mostrou que, entre o início da prisão domiciliar, em 27 de março, e a imposição das novas limitações, Flávio havia visitado Bolsonaro 18 vezes, além de uma ocasião em que esteve acompanhado da família. Carlos esteve com o pai 11 vezes e Jair Renan, duas. A punição específica a Flávio foi imposta em 13 de julho. Dois dias antes, o senador havia visitado Bolsonaro e, após o encontro, divulgado uma carta manuscrita pelo ex-presidente. No documento, Bolsonaro manifestava apoio à candidatura do filho. Moraes entendeu que a divulgação representou descumprimento da determinação que impede o ex-presidente de utilizar as redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, e proibiu as visitas por 90 dias. Carlos e Jair Renan foram atingidos posteriormente por uma restrição de prazo menor. Com o fim desse período, Moraes restabeleceu nesta sexta-feira o regime permanente de visitas dos dois, nos mesmos horários e condições anteriormente estabelecidos. A decisão mantém, no entanto, a proibição de que os encontros tenham finalidade político-eleitoral ou sejam usados para a divulgação de manifestações desse caráter, inclusive por terceiros. Para os demais visitantes, continua sendo necessária autorização prévia do Supremo.