Sibu 1 foi pelo menos a 13ª embarcação atacada neste ano ao largo da costa somali ou no Golfo de Áden, segundo dados de monitoramento marítimo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Membros da Guarda Costeira do Djibuti partem para uma patrulha na Cidade do Djibuti, no Djibuti, em 18 de abril de 2024. A localização do pequeno país do leste da África, no ponto em que o Mar Vermelho encontra o Golfo de Áden, fez do Djibuti — um país de maioria muçulmana — uma prioridade estratégica para as grandes potências — Foto: Diana Zeyneb Alhindawi/Bloomberg. Um petroleiro sob sanções dos Estados Unidos por supostamente transportar derivados de petróleo iranianos tornou-se a mais recente vítima do ressurgimento da pirataria somali, depois de ser abordado ao largo da costa do Iêmen e desviado em direção à Somália. O Sibu 1, de bandeira da Eritreia, foi tomado na quinta-feira por seis indivíduos armados, segundo a agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (Ukmto, na sigla em inglês). O petroleiro foi sancionado em dezembro passado pelo Departamento do Tesouro dos EUA por supostamente fazer parte de uma frota paralela que ajuda derivados de petróleo iranianos a escapar das sanções americanas. O Sibu 1 foi pelo menos a 13ª embarcação atacada neste ano ao largo da costa da Somália ou no Golfo de Áden, que separa a Somália do Iêmen, segundo dados do Escritório Marítimo Internacional (IMB, na sigla em inglês) e relatos da Ukmto. Em todo o ano de 2025, ocorreram apenas cinco ataques desse tipo, segundo dados do IMB. Centenas de ataques de piratas somalis entre 2008 e 2014 provocaram uma crise de segurança no oeste do Oceano Índico que custou bilhões de dólares à economia global, incluindo centenas de milhões de dólares pagos em resgates. Uma resposta internacional coordenada de segurança praticamente pôs fim aos ataques, e uma nova onda de sequestros de embarcações em 2023 e 2024 também perdeu força após uma forte resposta naval. Especialistas afirmam, porém, que a falta de medidas para enfrentar as causas profundas da pirataria, ligadas às precárias condições econômicas e de segurança na Somália, significa que o problema pode voltar a surgir a qualquer momento. “A pirataria sempre foi contida. Nunca foi realmente erradicada por completo”, afirmou Timothy Walker, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança, em Pretória. Especialistas apontam para os efeitos da guerra com o Irã sobre o aumento da pirataria, entre eles a alta dos preços do petróleo, que torna os petroleiros alvos mais atraentes, e o deslocamento para o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho de meios navais anteriormente dedicados ao combate à pirataria, para lidar com ameaças do Irã e de seus aliados houthis no Iêmen. Alguns também citaram indícios de colaboração entre os houthis e piratas somalis depois que várias embarcações foram tomadas perto da costa do Iêmen. Jay Bahadur, pesquisador e codiretor da consultoria Scopus Insights, afirmou que a captura de uma embarcação ligada ao Irã como o Sibu 1 o deixava bastante cético quanto à existência de vínculos entre os houthis e os recentes sequestros de navios. Ele acrescentou, porém, que estava claro que piratas somalis recebiam apoio de cidadãos iemenitas, inclusive de redes de tráfico de armas. “Há essas relações tradicionais e de longa data, construídas em torno do tráfico de armas e de pessoas, entre atores criminosos iemenitas e somalis”, afirmou.