Regina Duarte e a filha, a também atriz Gabriela Duarte, estão sobre o palco numa atmosfera de tensão. Os nervos parecem à flor da pele e o desconforto na ribalta é quase palpável. O mal-estar, porém, nada tem a ver com "A Filha da…", que estreia na capital paulista na próxima quinta-feira e marca a primeira vez em duas décadas que elas contracenam num espetáculo.
Apesar da comoção em torno do trabalho, o nervosismo é fruto da entrevista que davam a este jornal na semana passada, no Teatro BDO Jaraguá. Num de seus ápices, depois de responder sobre sua passagem pelo governo de Jair Bolsonaro, Regina disparou "agora acabou, morreu esse assunto".
Se em "A Filha da..." as personagens querem esconder um assassinato, na entrevista, as atrizes desejavam enterrar de vez a política para tentar retomar o prestígio que Regina perdeu no meio artístico.
O esforço não é à toa. Em 2020, Regina fez uma participação tão breve quanto ruidosa no governo federal depois de encerrar um contrato de 50 anos com a TV Globo, emissora na qual ganhou o epíteto de "namoradinha do Brasil".
À frente da Secretaria Especial da Cultura, a artista acumulou críticas e controvérsias. Em maio daquele ano, encerrou uma entrevista ao vivo na CNN quando a emissora mostrou um vídeo enviado pela atriz Maitê Proença.






