Existe uma fronteira invisível que separa essas duas mulheres. Ruth é uma pessoa rígida que alimenta grandes expectativas para a filha. Helô, por sua vez, tem uma postura ressentida por se considerar desvalorizada pela mãe. Para complicar ainda mais a relação, a médica se compara com sua irmã, que ela julga ter sido a que recebeu mais amor materno.
É com essa atmosfera de embate familiar que a peça "Querida Mamãe" chega ao Teatro Renaissance, na capital paulista, após uma temporada no Rio de Janeiro. Com direção de Pedro Neschling, o espetáculo adapta para os palcos o texto premiado da dramaturga e novelista Maria Adelaide Amaral.
Encenado pela primeira vez em 1994, o texto rendeu à autora prêmios como APCA, Shell e Molière. À época, as atrizes Eva Wilma e Eliane Giardini dividiram o palco para atuar nesse drama familiar. Pouco mais de três décadas depois, cabe agora a Nívea Maria viver Ruth e a Regiane Alves encarnar Helô.
"A peça é muito atual, porque o conteúdo dela existe até hoje em várias famílias, como preconceito, dificuldades para entender o jovem e diferenças de geração", diz Nívea, após um ensaio do espetáculo.
Para a atriz, mãe e filha compartilham vivências parecidas. Isso pode ser sentido quando a personagem da atriz confessa que não era feliz no casamento, problema que a filha também enfrentou em seu matrimônio.











