Na plateia, uma risada fora de hora é rapidamente engolida porque o espectador do ensaio aberto percebe, no meio da cena, a virada na história contada em "Inter Alia", peça protagonizada por Drica Moraes e dirigida por Rodrigo Portella, agora em cartaz no Teatro Vivo, em São Paulo.

Não dá para culpar o homem que riu alto na apresentação para uma plateia de convidados, no sábado (25). O espetáculo é realmente leve e divertido na primeira parte, apesar de a juíza Jessica, interpretada por Moraes, acumular funções profissionais, maternas e domésticas.

Ela é multifuncional, mas está em plena ascensão no trabalho, é correta, empática com as mulheres, acolhedora, tem amigas para dançar e trocar confidências e até transa com o marido, Michael, papel de Caco Ciocler.

Com o filho jovem, Harry —Caio Cesar Passos—, a relação é típica. O garoto não quer muita conversa, acha enfadonhas as preocupações da mãe e é tratado como "brother" pelo pai, mais desencanado e menos comprometido com tudo ao redor.

O elenco aparece no centro do palco cru, sem nenhum cenário, no início da peça, e logo Jessica começa a contar a história da reviravolta em sua vida. É uma narrativa direta, no estilo de Portella, diretor premiado de sucessos como "Tom na Fazenda", "(Um) Ensaio sobre a Cegueira", "O Motociclista no Globo da Morte" e da montagem mais recente de "Fim de Partida", de Samuel Beckett.