Defesa de Lindsay Clancy sustenta que ela sofria de psicose pós-parto; psicólogo forense afirmou que ela não compreendia a ilicitude dos atos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lindsay Clancy durante seu julgamento — Foto: Reprodução | Youtube A americana Lindsay Clancy, de 36 anos, acusada de matar os três filhos em 2023, dizia ter ouvido uma voz masculina que ordenava que ela matasse as crianças, segundo depoimentos apresentados nesta semana no julgamento. Uma capelã hospitalar e um psicólogo forense relataram aos jurados que Clancy descreveu as supostas alucinações após os assassinatos. Clancy não nega ter matado Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de 8 meses, em 24 de janeiro de 2023, na casa da família em Duxbury, Massachusetts, nos Estados Unidos. Ela se declarou inocente das três acusações de homicídio em primeiro grau. A defesa argumenta que, no momento dos crimes, ela sofria de psicose pós-parto e, por isso, não poderia ser responsabilizada criminalmente. Nesta quinta-feira, Sheila Cavanaugh, capelã do Brigham and Women's Hospital, em Boston, afirmou que a primeira frase dita por Clancy depois de ser retirada da ventilação mecânica, cerca de uma semana após os assassinatos, foi: — Estou tão feliz que meus filhos estão seguros. Segundo Cavanaugh, Clancy mencionou em outras conversas que ouvia uma voz masculina persistente. A voz, de acordo com o relato atribuído à ré, dizia que, caso ela não obedecesse à ordem, nem ela nem os filhos estariam seguros. A capelã afirmou ter se encontrado com Clancy pelo menos 14 vezes durante a internação e, posteriormente, cerca de 200 vezes enquanto ela estava detida no Tewksbury Hospital. Questionada pela promotoria sobre o fato de suas anotações não registrarem que Clancy havia relatado ouvir vozes antes dos assassinatos, Cavanaugh respondeu que seu papel como capelã não era avaliar a paciente, mas acompanhar seu sofrimento. O depoimento reforçou uma das principais linhas da defesa. O psicólogo forense Paul Zeizel, que avaliou Clancy após os assassinatos, também afirmou nesta semana que ela relatou ter ouvido uma voz masculina ordenando que matasse os filhos e depois a si mesma. Confira famosos que falaram de saúde mental 1 de 8 Nando Cunha revelou enfrentar depressão. "Depressão é coisa séria. Não é frescura, não é escolha, não é fraqueza. Por isso, tomei a decisão de buscar ajuda e priorizar meu bem-estar", disse o ator — Foto: Reprodução/Instagram 2 de 8 Rafa Kalimann já desabafou sobre saúde mental. A ex-"BBB" e atriz contou que a primeira vez que enfrentou uma crise de pânico foi em 2018 — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Linn da Quebrada anunciou, em junho do ano passado, o afastamento das redes sociais para cuidar da saúde mental. Na época, ela foi diagnosticada com quadro severo de depressão. Neste ano, foi internada para se tratar — Foto: Gabriel Renné 4 de 8 Mariana Santos também contou que enfrentou síndrome do pânico. Em uma das crises, ela chegou a quebrar o dedo — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 5 de 8 Juliana Paes contou ter tido crises de ansiedade que se intensificaram na pandemia da Covid. A atriz relatou que procurou ajuda psiquiátrica — Foto: Reprodução/Instagram 6 de 8 Lucas Lucco, que fez "Malhação", fez uma pausa na carreira de cantor durante um ano para cuidar da saúde mental. Em dezembro de 2023, ele afirmou que iria tratar as crises causadas por Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade 7 de 8 Desde 2022, quando foi diagnosticada com transtorno bipolar, Selena Gomez fala de saúde mental e contou até não conseguir dormir no próprio quarto — Foto: Reprodução/Instagram 8 de 8 A atriz e apresentadora Renata Sayuri falou do diagnóstico de transtorno fetivo bipolar, em que descobriu há 20 anos. Ela faz uso contínuo de remédio e conta com acompanhamento psiquiátrico e psicológico — Foto: Reprodução/Instagram X de 8 Publicidade Personalidades relatam problemas que enfrentaram Segundo Zeizel, Clancy contou que a voz dizia que ela não tinha escolha. Em sua avaliação, a mulher "não conseguia adequar seu comportamento às regras da lei" e "não tinha consciência da ilicitude de seu ato". O psicólogo também afirmou que Clancy relatava, nos meses anteriores aos assassinatos, sintomas como depressão, entorpecimento emocional e dificuldade de concentração, além de pensamentos suicidas e preocupações de que pudesse machucar os filhos. De acordo com ele, a última vez que ela disse ter ouvido a voz foi justamente em 24 de janeiro de 2023. Desde então, não teria apresentado novas alucinações auditivas. Após matar os filhos, Clancy se feriu e tentou tirar a própria vida, episódio que a defesa tratou como uma tentativa de suicídio. Ela sobreviveu, mas ficou parcialmente paralisada. A promotoria, porém, sustenta que os assassinatos foram planejados. Os promotores afirmam que Clancy agiu de maneira racional e teria planejado deixar o marido, Patrick Clancy, fora de casa antes de estrangular as crianças com faixas de exercício. Patrick e Lindsay Clancy — Foto: Reprodução/Redes sociais/Família Clancy Os acusadores também destacaram comportamentos apresentados por Clancy nas semanas que antecederam as mortes, como passeios em família e a construção de um boneco de neve com os filhos poucas horas antes dos assassinatos. Para a promotoria, essas atitudes não seriam compatíveis com um quadro de doença mental grave que a impedisse de compreender seus atos. O julgamento começou há pouco mais de três semanas. A promotoria encerrou sua apresentação na segunda-feira, depois de chamar mais de 70 testemunhas. A defesa deve encerrar sua apresentação nesta sexta-feira, segundo o advogado Kevin Reddington, após o depoimento de mais um especialista em psicose pós-parto. Em seguida, o processo avançará para as instruções ao júri e os argumentos finais antes da decisão. Se for condenada pelos três homicídios em primeiro grau, Clancy poderá ser sentenciada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.