Demorou, mas Reinaldo Moraes está de volta. Quase duas décadas depois de Pornopopeia, de 2009, o escritor paulistano lança Noitada. Como no romance anterior, tudo está ali: sexo, drogas, diálogos que não têm nem pé nem cabeça, divagações, ironias e muito mais. Mas, em Noitada, a história se passa numa única e interminável noite.
Não em qualquer uma: estamos em junho de 2013, em meio às manifestações que tomaram São Paulo e o País.
O enredo gira em torno de três personagens: Kabeto, ora narrador, ora personagem, e escritor em estado de bloqueio criativo; Mina, sua ex-companheira e agora parceira de farras noturnas; e Audra, jovem atriz de teatro, habitante de Higienópolis.
Tudo começa com o encontro entre Kabeto e Mina. Juntos, e devidamente municiados de tabaco, maconha e cocaína, tomam um táxi até o apartamento de Audra, que lá os espera na companhia de uma amiga desconhecida.
Em meio aos protestos que se fragmentavam pela região central da cidade, a corrida revela-se uma verdadeira viagem – para eles e para o leitor. São nada menos que cem páginas que se desenrolam entre o bar do qual partiram e a chegada ao edifício onde ocorrerá a maior parte da “noitada”. O tempo da leitura é maior do que o tempo “real”.








