Raphael Montes ficou conhecido por livros com assassinatos grotescos, pactos suicidas e rituais de canibalismo. Agora, seu novo romance ousa com outros ingredientes: orgasmos atordoantes, gente nua amarrada entre lençóis e um brinquedinho que dá choques leves no mamilo.

É quase irônico que este lançamento, "A Estranha na Cama", esteja sendo tratado como sua primeira obra para o público adulto. Não é como se, antes, o escritor fizesse literatura só para baixinhos.

"Sexo é mais polêmico que violência. Falar de liberdade sexual, de desejo, de tesão, incomoda mais", resume o autor, ressaltando que seus livros costumam saltar entre gêneros e estilos, mas concordando que este deve atingir um público mais maduro. "E também vai interessar a uma juventude que tem investigado suas próprias sexualidades."

Se fez um "whodunit" brutal em "Suicidas", um noir em "Uma Mulher no Escuro" e um suspense doméstico em "Uma Família Feliz", agora quis cair de cabeça no thriller erótico. É um de seus gêneros prediletos —aquele em que o arrepio na espinha vem tanto do medo quanto do tesão, em que o jogo de sedução entre quatro paredes é vital para descortinar relações de poder que descambam em casos de polícia.