Nas últimas semanas, temos visto notícias na imprensa sobre o endividamento das famílias. Várias delas sugerem que o ponto mais sensível seria o crédito sem garantia, categoria que reúne cartões de crédito e o rotativo.

Por sua vez, o Banco Central tem afirmado que o Pix ampliou a bancarização, dando a milhões de pessoas acesso ao sistema financeiro e a cartões, mas que, em contrapartida, aumentou a exposição das famílias ao crédito rotativo. Na visão de alguns, esse tipo de crédito seria a modalidade que menos responderia a mudanças na política monetária. Nesse contexto, o maior problema do endividamento estaria ligado exatamente ao uso dos cartões, principalmente via parcelamento sem juros, sendo que parte desses consumidores teria migrado para o custo do rotativo, amplificando o problema.

É verdade que o cartão de crédito é hoje o principal meio de pagamento e a opção de compra de grande parte da população, mas os dados disponíveis não sustentam a tese de que o produto esteja na origem da maior parte do endividamento das famílias, muito menos que esteja ligado ao parcelado sem juros ou mesmo ao rotativo.

Segundo relatório do próprio BC, o valor movimentado no crédito rotativo representa apenas 2,7% do valor total do endividamento das famílias no país (R$ 3,3 trilhões). Ademais, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) de maio de 2026, 74,6% da carteira de cartões de crédito estão em dia, e o tempo médio de permanência do cliente no rotativo é de 14,1 dias —um prazo curto que sugere um uso mais pontual e emergencial da modalidade.