O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde este ano, e boa parte desse crescimento tem uma origem em comum: o rotativo do cartão de crédito. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pedro Daniel Magalhães — Foto: Divulgação Quase toda família brasileira já viveu essa cena: a fatura do cartão chega maior do que o previsto, o dinheiro não fecha, e só é possível pagar uma parte. O que parece uma solução temporária, pagar o mínimo e deixar o resto para o mês seguinte, é exatamente o início de uma das dívidas mais caras que existem no país: o crédito rotativo do cartão. Um recorde de endividamento com um vilão conhecido O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde neste ano, superando o patamar mais alto já registrado desde que o Banco Central começou a acompanhar esse indicador. Para Pedro Daniel Magalhães, esse recorde tem uma explicação que vai além dos juros altos: a maior parte das famílias endividadas aponta o cartão de crédito, e especificamente o rotativo, como principal responsável pelas contas que não fecham. Por que o rotativo é tão mais perigoso que outras dívidas? Diferente de um financiamento de carro ou de imóvel, cujo valor é diluído ao longo de vários anos em parcelas previsíveis, uma dívida no rotativo do cartão precisa ser paga, em regra, já no mês seguinte, com juros que estão entre os mais altos do mercado de crédito brasileiro. Pedro Magalhães explica que esse mecanismo é acionado de forma quase automática: quando o consumidor não paga a fatura integral, o saldo devedor migra sozinho para o rotativo, sem que seja necessário assinar nada ou tomar qualquer decisão consciente adicional. É exatamente essa automaticidade, segundo ele, que torna a dívida tão difícil de perceber até que já esteja fora de controle. Uma bola de neve que cresce rápido Sem uma alternativa de crédito mais barata para quitar esse saldo rapidamente, a dívida no rotativo tende a crescer mês após mês, de forma cada vez mais difícil de reverter. O executivo pondera que, quanto mais tempo uma família permanece nessa modalidade, menor a chance de sair dela sozinha, sem alguma mudança de estratégia. O que o governo está tentando mudar Diante desse cenário, o governo federal prepara um programa voltado à redução do endividamento das famílias, que deve incluir mecanismos para restringir o acesso a linhas de crédito mais caras, como o próprio rotativo, para quem aderir à iniciativa. Na avaliação de Pedro Daniel Magalhães, esse tipo de medida só funciona de verdade se vier acompanhada de orientação financeira contínua, e não apenas de uma restrição pontual: fechar a porta para uma linha de crédito cara, sem ajudar a pessoa a quitar o que já deve, tende a apenas empurrar o problema para outro lugar. O conselho para quem já está no rotativo Para famílias que já se encontram nessa situação, o caminho mais eficaz costuma ser buscar, o quanto antes, uma linha de crédito com taxa bem menor para quitar esse saldo, mesmo que isso signifique contrair uma nova dívida no curto prazo. Trocar uma dívida caríssima por outra com custo bem mais baixo, embora pareça contraditório à primeira vista, costuma ser a decisão mais racional para quem já está enrolado no rotativo. Pedro Daniel Magalhães reforça que esse tipo de troca de dívida não resolve o problema por completo se não vier acompanhada de uma mudança de hábito no uso do cartão. Sem ajustar o consumo à renda disponível, a família corre o risco de quitar o rotativo com uma nova linha de crédito e, meses depois, voltar a acumular saldo na fatura, repetindo o mesmo ciclo que a levou ao endividamento em primeiro lugar.
Pedro Daniel Magalhães, executivo do mercado financeiro, explica por que o cartão de crédito rotativo é o maior vilão do endividamento das famílias brasileiras
O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde este ano, e boa parte desse crescimento tem uma origem em comum: o rotativo do cartão de crédito.










